Vou lutar não só por meu mandato, mas em defesa da democracia no Brasil, diz Dilma à CNN

Em entrevista à emissora norte-americana, presidente brasileira também disse acreditar que 'fato de ser mulher é forte elemento' no processo de impeachment

Redação


Clique para acessar todas as matérias e artigos de Opera Mundi e Samuel sobre o processo de impeachment


Atualizado dia 28/04 às 16h07

A presidente brasileira, Dilma Rousseff, declarou à emissora norte-americana CNN que lutará “para sobreviver” não só por seu mandato, mas em defesa do “princípio democrático que rege a vida política no Brasil”, durante uma entrevista concedida à jornalista norte-americana Christiane Amanpour nesta quinta-feira (28/04).

Durante a entrevista, a mandatária foi questionada sobre o sexismo que ela enfrenta como mulher política. Dilma disse acreditar que o fato de ser mulher “é um forte elemento” no processo de impeachment que foi aprovado pela Câmara dos Deputados no dia 17 e que será analisado e votado pelo Senado nas próximas semanas.

Reprodução

"Somente mulheres são descritas como ‘duras’ ao desempenharem um cargo" político, disse Dilma a Amanpour

“Dizem com frequência que eu sou uma mulher muito dura. E eu sempre respondi: ‘sou uma mulher dura cercada por homens fofos, educados, bons e gentis’”, ironizou ela. “Somente mulheres são descritas como ‘duras’ ao desempenharem um cargo [político]”.

A presidente chegou até a dizer que o processo de impeachment não é sobre a manipulação de registros para esconder rombos do orçamento público — justificativa do impeachment. "Isso já foi feito antes. Era uma prática aceitável durante o governo Lula e o de Fernando Henrique Cardoso. Nunca foi um crime, então por que agora é passível de impeachment?", perguntou ela.

Ao tratar de seu predecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma reforçou que ele é "muito melhor político" que ela. "Eu sou mais uma pessoa que faz as coisas. Eu me dediquei inteiramente ao meu povo", argumentou.

Questionada sobre sua baixa popularidade, Dilma respondeu que um processo de impeachment não pode se basear neste aspecto da atuação de um presidente. “Se for assim, todos os presidentes e primeiros-ministros europeus que enfrentam uma taxa de desemprego de 20% teriam que inevitavelmente passar por um processo de impeachment, porque eles também tiveram fortes quedas em sua popularidade.”

Sobre a crise econômica, a mandatária defendeu que o problema teve início em 2008 e responsabilizou o Congresso por bloquear propostas de reformas e cortes de gastos, o que “causou instabilidade política e barrou a economia”

Por fim, Dilma disse que ficaria “muito triste” caso seja afastada e não possa acompanhar os Jogos Olímpicos como chefe de Estado do Brasil. “Gostaria muito de participar do processo olímpico, porque ajudei a construir estes esforços desde o primeiro dia (...) Mas ficarei ainda mais triste [de não poder acompanhar] por ter sido afastada por uma injustiça".

Michel Temer na CNN

O vice-presidente brasileiro, Michel Temer, também foi entrevistado pela CNN na última segunda-feira (25/04). Ele disse à emissora norte-americana que não há um golpe em curso no país e que quer “ganhar a confiança da população brasileira e de todos os setores da sociedade”.
 
Temer rejeitou as recentes declarações da presidente Dilma Rousseff compartilhadas por grande parte da sociedade brasileira e de entidades internacionais de que o processo de impeachment contra a presidente se trate de um golpe de Estado de que o vice-presidente seria um dos principais articuladores e beneficiários.
 
“Não há um golpe em curso no país. Não há nenhuma tentativa de violar a Constituição”, declarou Temer à correspondente da CNN no Brasil. "Que conspiração estou liderando? Tenho o poder de convencer 367 membros do Congresso?", indagou. "Acho que a presidente está errada também neste ponto".

Comentários