'Brasil cometerá suicídio político' se Senado aprovar impeachment, diz historiadora francesa

Para Juliette Dumont, pesquisadora da universidade Sorbonne Nouvelle, aprovação do processo contra Dilma fragilizará e prejudicará país no cenário internacional

Redação


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A historiadora Juliette Dumont, do Iheal (Instituto de Altos Estudos sobre a América Latina) da universidade francesa Sorbonne Nouvelle, afirmou nesta quarta-feira (04/05) que o Brasil cometerá “suicídio político” se o Senado aprovar, na próxima semana, o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Agência Efe

Pesquisadora afirmou que votação do pedido de impeachment no dia 17 de abril  "deu uma imagem patética" da Câmara dos Deputados

De acordo com a pesquisadora, que é especialista em Relações Internacionais, o possível afastamento da presidente "vai fragilizar o Brasil e prejudicar, durante muitos anos, a credibilidade do país no cenário internacional".

"Eu acho que o Brasil vai levar muitos anos para corrigir os danos que foram feitos ao país no exterior, a começar na própria América Latina”, afirmou Juliette ao participar de um debate em Paris promovido pelo MD18 (Movimento Democrático 18 Março), grupo de estudantes brasileiros e europeus que têm se articulado contra o impeachment de Dilma.

Ela afirmou também que a votação do pedido de afastamento de Dilma no dia 17 de abril na Câmara dos Deputados "deu uma imagem patética" da Casa e espera que o cenário não se repita na próxima quarta-feira (11/04), durante votação final no Senado. "Espero que o voto no Senado não seja a farsa que foi o voto na Câmara", declarou.

Segundo Juliette, o cenário atual indica que "as forças conservadoras ainda estão muito presentes e existe um movimento importante contra o que o Partido dos Trabalhadores [PT] representa".

Dentre as consequências da crise política brasileira no âmbito internacional, de acordo com a historiadora, estará a dificuldade para o país conquistar uma cadeira de membro permanente no Conselho de Segurança da ONU.

"Demorou muitos anos, mas, enfim, o país tinha conseguido o apoio dos vizinhos latino-americanos, o que era uma grande novidade", disse a pesquisadora. "Como o Brasil terá força para continuar a defender seus interesses nos fóruns internacionais ou na Organização Mundial do Comércio [OMC] se a democracia está em risco?", questionou.

"O Brasil voltou a ser aquele país que não é sério e se leva tempo para combater esses estereótipos em política internacional", acrescentou.

Cerca de 50 pessoas participaram do debate mediado por Juliette, que contou com a presença de pesquisadores, jornalistas e estudantes. 

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