Impeachment é 'ilegal' e 'ilegítimo', diz presidente Dilma à rede britânica BBC

Presidente brasileira afirmou que processo é 'eleição indireta revestida da capa de impeachment'; mandatária disse que não vai renunciar

Redação


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A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira (04/05), à rede britânica BBC que seu processo de impeachment é “ilegal” e ilegítimo” e que não vai renunciar ao cargo.

Roberto Stuckert Filho/PR

Presidente Dilma Rousseff afirmou que baixa popularidade não pode ser justificativa para a destituição de um mandatário

“Se eu renuncio, a prova viva de que há um golpe, de que foi cometida uma injustiça, de que tem uma pessoa que está sendo vítima porque é inocente, desaparece. Não contem com isso porque eu não vou renunciar”, disse.

“Nós defendemos, eu e todos os meus apoiadores, que esse processo de impeachment é ilegítimo, ilegal, porque é baseado numa farsa, que é uma eleição indireta revestida da capa de impeachment”, complementou.

Questionada sobre seus baixos índices de avaliação e uma suposta perda de confiança da população em sua habilidade de governar, Dilma afirmou que falta de apoio não pode ser justificativa para a destituição de um mandatário. “No Brasil, só se tiver um fundamento, uma denúncia forte, uma base jurídica, você pode afastar o presidente”, afirmou.

A respeito de um cenário provável de afastamento, a presidente disse que continuará lutando para voltar ao governo. "O que nós iremos fazer é resistir, resistir e resistir. E lutar para quê? Para ganhar [o julgamento] no mérito e retornar ao governo", declarou.

Dilma disse também que as investigações no Brasil estão sendo usadas como instrumento para desmoralizar figuras públicas. “Mesmo que depois se prove serem infundadas as acusações, se você vazá-las, o mal já está feito, o dano já foi causado. E aí o objetivo do vazamento foi conquistado, que era o quê? Desmoralizar a outra pessoa”, afirmou.

Ela disse que não teme possíveis investigações pois é inocente. “Eu aceito qualquer forma de investigação porque tenho certeza que sou inocente. Então, não será por conta de investigação [que não voltarei à Presidência].  Não há o menor problema. A mim, podem investigar”. 

Dilma admitiu ter vivido "um momento amargo" ao receber a tocha olímpica dos Jogos do Rio 2016 por não ter a certeza de que poderá estar presente em agosto na abertura da competição esportiva. “O mero temor de não ser eu, [mas] ser uma pessoa que usurpa o meu lugar, é que dá essa sensação de tristeza e injustiça”, declarou.

Golpes parlamentares

De acordo com Dilma, na América Latina, golpes militares que ocorriam nas décadas de 60 e 70 vêm sendo substituídos por golpes parlamentares.

“O que acontece num golpe parlamentar? Na prática, geralmente, (são feitos por) aqueles que não têm votos suficientes e, portanto, legitimidade suficiente, nem aprovação, nem popularidade suficientes”, declarou a chefe de Estado.

Ela lembrou que, assim como ocorreu em países em crise, o governo foi obrigado a tomar medidas impopulares, o que não significou a abertura de processos de impeachment. O cenário, para a presidente, mostra que há um problema “estrutural” no presidencialismo brasileiro.

“Há um problema estrutural no presidencialismo de coalizão brasileiro. Ele não suporta crise. Diante da crise, buscam-se soluções rápidas. E não existe solução rápida para a crise”, afirmou.
 

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