'Sessão histórica e extenuante' decidiu por afastamento de Dilma, diz El País; veja repercussão

Senado do Brasil decidiu na madrugada desta quinta-feira admitir processo de impeachment e afastar Dilma por até 180 dias

Redação


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Atualizada às 17h46

A aprovação na madrugada desta quinta-feira (12/05) da admissibilidade do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff – que, na prática, a afasta por até 180 dias do cargo – virou o principal destaque das páginas dos maiores jornais de todo o mundo.

O Senado admitiu o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, por 55 votos a favor contra 22. Com a decisão, ela é afastada e, no lugar, assume Michel Temer (PMDB). Nesse período, o Senado julga se a presidente cometeu ou não crime de responsabilidade. Caso os senadores julguem que sim, ela perde o mandato e fica inelegível por oito anos, e Temer assume definitivamente a Presidência.

Veja a repercussão:

El País (Espanha)

Para o espanhol El País, uma sessão “histórica e extenuante” decidiu pelo afastamento da mandatária. “Na tribuna, os defensores do impeachment, a maioria de partidos de centro e de direita, falaram das manobras fiscais. Mas se referiram mais, para justificar sua decisão, à catastrófica marcha da economia (que retrocede à razão de 3% do PIB ao ano), aos sucessivos rebaixamentos das agências de risco, que colocaram os títulos brasileiros ao nível de títulos lixo e, em geral, à necessidade de mudar o governo para que a perspectiva mude”.

La Nacion (Argentina)

O jornal argentino La Nación afirma que o presidente do país, Mauricio Macri, acompanhou “intermitentemente, muito atento e com claros sinais de preocupação” a votação do impeachment de Dilma, mas preferiu não emitir nenhum gesto. O mandatário argentino, conta o jornal, não chegou a entrar em contato com Dilma. “Se trata de um tema de política interna e marcado nas regras de uma democracia. É uma política do governo não interferir no Brasil”, afirmou um representante da Casa Rosada ao La Nacion.

Süddeutsche Zeitung (Alemanha)

Por sua vez, o jornal alemão Süddeutsche Zeitung, ao noticiar a aprovação da admissibilidade, lembrou que há denúncias de corrupção contra vários políticos governistas e da oposição. “Entre eles, também está Eduardo Cunha, um dos que iniciou o processo de impeachment contra Rousseff”, diz o periódico, que lembra que não há denúncias contra Dilma.

The Globe and Mail (Canadá)

O jornal canadense afirma que o vice Michel Temer “se prepara para assumir a liderança do maior país da América Latina”. “Ele sugeriu que irá fazer cortes profundos nos gastos do governo, incluindo destinações para saúde e educação previstas na Constituição, reformar benefícios de seguridade social, alterar a legislação trabalhista e privatizar infraestrutura e instituições. (...) Mas muitos brasileiros temem que Temer vai desfazer as políticas pró-pobres do Partido dos Trabalhadores, que reduziram dramaticamente a desigualdade nos últimos 12 anos.”

The Guardian (Reino Unido)

O jornal britânico The Guardian fez uma cobertura minuto-a-minuto da votação. “Rousseff, a primeira presidente mulher do Brasil, terá que sair do cargo por ao menos seis meses, enquanto ela é jugada na Câmara Alta [Senado] por alegadamente manipular contas do governo antes da última eleição. Seus juízes serão senadores, muitos dos quais são acusados de crimes mais sérios”, diz o jornal.

The New York Times (EUA)

 

O jornal norte-americano The New York Times deu destaque à votação em seu site na manhã desta quinta-feira (12/05). De acordo com o jornal, comparado à sessão na Câmara dos Deputados no dia 17 de abril, na qual parlamentares "cuspiram, gritaram e atiraram 'confetes' uns nos outros”, o procedimento no Senado foi considerado “sob controle”.

A publicação também afirmou que, apesar de consolidado seu afastamento, Dilma “é rara entre políticos de alto escalão no Brasil na medida em que não enfrenta acusações de enriquecimento ilícito”.

Le Monde (França)



"Temer, puro produto do sistema político brasileiro, conhecedor das intrigas parlamentares, descrito pela comitiva da presidente brasileira como um 'conspirador', 'traidor' e um 'ejaculador precoce', que pensa há meses no trono, está prestes a chegar ao degrau mais alto do poder", publicou o jornal francês Le Monde.

O veículo questionou também a capacidade do presidente interino de lidar com a situação política atual, visto que ele tem baixa popularidade por ser um dos citados no escândalo de corrupção investigado pela operação Lava Jato.

Página/12 (Argentina)



O jornal argentino Página/12 deu destaque ao "golpe de Temer" na manchete da edição impressa desta quinta e publicou artigos intitulados "A noite em que a democracia foi suspensa", "O homem dos dois por cento" — em referência aos somente 2% dos eleitores que apoiam Temer —, entre outros.

La Jornada (México)



O jornal mexicano La Jornada, por sua vez, deu a entender que o atual presidente interino traiu a mandatária Dilma ao publicar uma fala de um ano atrás de Temer em que ele afirma que o impeachment seria algo "impensável". Além disso, ressaltou a falta de popularidade do vice-presidente e abordou seu projeto de governo, focando em seus Ministérios e respectivos ministros, que serão empossados nesta quinta.

"Não será, como se pretendeu anunciar, um governo de notáveis. Primeiro porque os melhores em cada especialidade dificilmente participariam de um governo ilegítimo. E, segundo, porque Temer sabe que carece de apoio popular e de poder de decisão: está nas mãos de seus aliados", diz o artigo do veículo mexicano.

Agência Efe

Presidente Dilma foi afastada do cargo na madrugada desta quinta-feira pelo Senado

 

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