BBC: Michel Temer é 'terceiro presidente de partido que nunca ganhou as eleições no Brasil'

'Nos últimos anos, dezenas de legisladores e ministros do PMDB foram investigados por casos de desvio de dinheiro e outras ilegalidades', aponta BBC

Redação


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A versão em espanhol da emissora britânica BBC publicou nesta quinta-feira (12/05) uma matéria na qual se refere ao presidente em exercício Michel Temer como o “terceiro presidente de um partido que nunca ganhou as eleições no Brasil”.

“Em 1985, José Sarney se tornou presidente após a morte do mandatário eleito, Tancredo Neves. Em 1992, Itamar Franco substituiu Fernando Collor de Mello, que renunciou após um processo de impeachment”, pontua a matéria, acrescentando que desde 1994 o PMDB, partido de Temer, não lança um candidato presidencial, ocasião em que Orestes Quércia disputou as eleições e não chegou a 5% dos votos.

EFE

Michel Temer (PMDB) assumiu interinamente nesta quinta-feira (12/05) a Presidência da República

“Nos últimos anos, dezenas de legisladores e ministros do PMDB foram investigados por casos de desvio de dinheiro e outras ilegalidades. Vários foram processados ou renunciaram a seus cargos”, diz a matéria. Michel Temer e o presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), são citados pela BBC como acusados de envolvimento em esquemas de corrupção.
 

A BBC destaca que, apesar de não ter conseguido eleger um presidente, o PMDB “sempre foi poderoso a nível regional e legislativo” e é o partido com o maior número de filiados do país, cerca de 2,3 milhões, 765 mil a mais que o PT.

“No Brasil, existe a seguinte a piada para se referir ao partido: ‘Não sabemos quem vai ganhar a eleição, mas sabemos que o PMDB estará no governo’”, diz a matéria.

O afastamento da presidente Dilma Rousseff foi destaque em diversos veículos da imprensa estrangeira. Segundo a emissora multiestatal Telesur, o processo de impeachment no Brasil “é um claro indício de que se enterra o modelo da democracia representativa e se substitui por um governo de monopólios e grupos financeiros”. Artigos e análises da imprensa alemã apontaram para “uma declaração de falência” do Brasil. 

Após o processo ter sido admitido no Senado nesta manhã por 55 votos a 22, a presidente Dilma Rousseff permanecerá afastada por até 180 dias, período em que os senadores irão julgar. É necessária maioria de dois terços, o equivalente a 54 dos 81 senadores, para que Dilma seja afastada em definitivo, cenário em que ficaria também inelegível por oito anos.

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