'Sistema político deveria ir a julgamento, não uma mulher', diz The Guardian sobre Brasil

Jornal britânico afirma que corrupção no Brasil é 'inevitável' e é preciso novo governo que provoque 'mudanças constituicionais radicais'

Redação


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Em editorial publicado na quinta-feira à noite (11/05), o jornal britânico The Guardian defendeu que todo o “sistema político [brasileiro] deveria ir a julgamento, não uma mulher”, em referência ao processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff , que foi justificado com supostas acusações de corrupção.

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O jornal argumenta que a corrupção é o maior problema da política brasileira e é “inevitável”. “Dilma herdou este legado infeliz [de corrupção] e começou a perder o controle durante um período de declínio econômico, a medida que a corrupção se tornou um escândalo de proporções cada vez maiores (...) O elemento tóxico final foi a percepção de muitos políticos de que procuradores poderiam em breve pegar mais e mais deles em suas redes, e que um jeito de evitar ou minimizar essa possibilidade seria desviar as atenções e tomar o controle do processo político pedindo o impeachment da chefe de Estado”, ponderou o Guardian.

“Seus próprios erros [de Dilma], que até mesmo seus aliados consideram substanciais, contribuíram para sua queda. Mas o que é claro é que não foi só a carreira de Dilma que ruiu, mas o sistema democrático brasileiro como um todo”.

Agência Efe

Em editorial, The Guardian afirma que todo sistema político brasileiro deveria ser julgado

O jornal britânico acredita, então, que o “modelo político falido” do Brasil deveria estar em julgamento, visto que ele força os partidos e os próprios políticos a recorrerem à corrupção ou meios ilícitos. 

“Nem os grandes partidos conseguem arrecadar dinheiro suficiente de fontes legítimas para fazer suas campanhas em um país tão grande e com tantos níveis de governo”, exemplificou o jornal.

Para o Guardian, a solução para o sistema seria um novo governo que provocasse “mudanças constitucionais radicais”. “Mas, se o novo governo que o vice-presidente, Michel Temer, está montando será capaz de tal salto é, infelizmente, muito duvidoso”, concluiu.

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