'Muita testosterona e pouco pigmento', diz jornal The Guardian sobre ministério de Temer

Segundo publicação britânica, composição do novo governo mostra que 'velha elite do Brasil está novamente no comando'

Redação


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O jornal britânico The Guardian afirmou nesta sexta-feira (13/05) que “a velha elite do Brasil está novamente no comando” do país em matéria sobre a composição do governo do presidente em exercício Michel Temer.

Intitulada “Muita testosterona e pouco pigmento: velha elite brasileira dá fim à diversidade”, a matéria destaca que o gabinete de Temer será o primeiro, desde o fim da ditadura militar em 1985, composto apenas por homens.

“A imagem do Brasil como democracia socialmente liberal e multiétnica pode ter sido mais mito do que realidade, mas quaisquer ilusões remanescentes desse tipo foram dissipadas pela nomeação do gabinete do presidente interino Michel Temer”.

Segundo The Guardian, depois de “conspirar” para o afastamento da primeira presidente brasileira, Temer “rapidamente mostrou seus instintos conservadores” ao formar uma equipe de ministros quase todos brancos, “incluindo um barão da soja no controle da agricultura [Blairo Maggi] e um ministro das finanças que declarou de imediato a necessidade de cortes amplos [Henrique Meirelles]”.

A publicação afirma que, “pela multidão de homens brancos em ternos que cercaram o líder sorridente em seu discurso inaugural, a velha elite do Brasil está novamente no comando”.

Valter Campanato/Agência Brasil

Segundo The Guardian, composição do governo de Temer é 'impressionante contraste" com gabinete e governo de Dilma


“Foi um impressionante contraste com o gabinete e a equipe de governo de Dilma que partiram, que era de longe mais diverso em gênero e raça”, diz a matéria.

O jornal também destaca que Temer não fez um pedido de desculpas por “remontar a valores tradicionais” e que o mote de seu novo governo seria “Ordem e Progresso”, o slogan presente na bandeira do país.

 

“Progresso, no entanto, não parece incluir melhorias nos direitos das mulheres, que têm sido há muito tempo tratadas como cidadãs de segunda classe nessa cultura machista”.

Como exemplo, a publicação mencionou artigo recente da revista Veja sobre a esposa de Michel Temer, Marcela Temer, descrita como “Bela, recatada e do lar”.

Já Dilma, “ex-guerrilheira marxista, que uma vez foi presa com uma arma em sua bolsa e resistiu à tortura durante a ditadura militar, e ainda foi adiante para liderar o mais poderoso país latino-americano”, prossegue a matéria, “era a antítese da visão da direita de feminilidade”.

De acordo com a matéria, o novo governo de Temer tem gerado “zombaria” e respostas com indignação e humor amargo, citando uma postagem do jornalista André Trigueiro no Twitter. “‘Ordem e Progresso’ sem mulheres e negros no 1º escalão. Governo Temer começa com muita testosterona e pouco pigmento”, diz o tuíte.

 

Segundo o texto, “muitos duvidam que um governo todo de homens, predominantemente brancos, pode unir uma das nações mais etnicamente diversas, particularmente dado que seu foco principal será cortar gastos governamentais para atrair investimento estrangeiro”.

A publicação lembra também que muitos dos parlamentares que votaram a favor do afastamento de Dilma estão sob investigação por “crimes muito mais graves”, como o próprio Michel Temer, citado na Operação Lava Jato.

Em editorial publicado na noite de quinta-feira (11/05), o jornal britânico defendeu que todo o “sistema político [brasileiro] deveria ir a julgamento, não uma mulher”, em referência ao processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff , que foi justificado com supostas acusações de corrupção.

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