Cineastas e artistas brasileiros protestam contra golpe no Festival de Cannes, na França

Durante a apresentação do longa-metragem 'Aquarius', equipe do filme segurou cartazes em que afirmam que há um golpe em curso no país

Redação


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Cineastas e artistas brasileiros que participam do Festival de Cannes, na França, protestaram nesta terça-feira (17/05) contra o afastamento da presidente Dilma Rousseff em processo que qualificaram como golpe de Estado.

Durante a apresentação do longa-metragem "Aquarius", do cineasta Kleber Mendonça Filho, a equipe do filme segurou cartazes em que afirmam que há um golpe em curso no país. Em seguida, no auditório, os artistas estenderam uma faixa com os dizeres "Stop coup in Brazil" ("Parem o golpe no Brasil"). 

“O que está acontecendo é um golpe de Estado”, afirmou Filho à agência France Presse antes da exibição de "Aquarius", que é protagonizado por Sônia Braga e que está entre os 21 que disputam a Palma de Ouro. 

Sônia, que vive em Nova York, disse que é preciso “expor” a situação do Brasil ao mundo.

“Eu moro nos Estados Unidos, mas também no Brasil, tenho família e amigos lá e penso que o que está acontecendo, a manipulação da tomada do poder, tem que ser exposto ao mundo inteiro”, declarou à AFP a atriz, que disse estar preocupada com a “divisão” do país.

Agência Efe

Equipe do filme "Aquarius" protestou netsta terça-feira contra golpe no Brasil no Festival de Cannes na França

Na segunda-feira (16/05), o cineasta Eryk Rocha também criticou o afastamento da presidente Dilma Rousseff durante a exibição de seu documentário “Cinema Novo” na mostra não competitiva Cannes Classic.
 

 

"Há um golpe de Estado contra uma presidente que foi eleita por milhões de pessoas, que não tem nenhuma ilegalidade demonstrada, e quem a acusa são políticos comprovadamente corruptos", disse à AFP.

Rocha – que é filho do também cineasta Glauber Rocha – criticou a fusão do Ministério da Cultura com a pasta de Educação feita pelo governo interino de Michel Temer.

"Há dois erros gravíssimos”, afirmou o cineasta. “O primeiro é desarticular um Ministério da Cultura que em todos os países do mundo – como na França – é um eixo fundamental do desenvolvimento. O outro é desarticular o da Educação", completou.

No mesmo dia, o cineasta pernambucano Fellipe Fernandes aproveitou a apresentação de seu curta-metragem “O delírio é a redenção dos aflitos” para denunciar a situação no Brasil.

“Viemos aqui em um momento muito, muito delicado no Brasil. O governo foi ocupado por um presidente ilegítimo, machista, elitista”, declarou o cineasta sob aplausos.  “O cinema é uma arma de resistência. Nós vamos resistir”, disse.

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