'Não há representatividade do povo brasileiro no governo Temer', diz Gregório Duvivier em Lisboa

Ator brasileiro liderou um ato de solidariedade internacional ao Brasil na capital portuguesa que reuniu centenas de artistas e intelectuais de vários países

Marana Borges


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O ator, escritor e humorista brasileiro Gregório Duvivier afirmou nesta sexta-feira (20/05) a Opera Mundi que o governo de Michel Temer, presidente interino do Brasil,  representa “um retrocesso nas políticas culturais, mas não só”, visto que “não há representatividade do povo brasileiro no governo dele”.

Em Lisboa, Duvivier liderou um ato de solidariedade internacional à democracia brasileira que reuniu no Teatro Tivoli mais de 600 artistas, intelectuais e políticos portugueses, brasileiros e de países africanos, de acordo com os organizadores.

"Temer fez um governo dos derrotados, é um governo que não teve nem nunca teria apoio popular", disse o ator, com peça em cartaz na capital portuguesa, durante o evento. Ele criticou a exoneração do diretor da EBC (Empresa Brasil de Comunicação) e o fim do Ministério da Cultura. "Não é a toa que o Ministério da Cultura surgiu com o fim da ditadura militar e é fechado com o fim da democracia", declarou.

Lucas Rohan / Mídia Ninja

Brasileiros e portugueses se reuniram no Teatro Tivoli, em Lisboa

Em sua fala, Duvivier defendeu eleições antecipadas, “o único grito que a gente pode ter hoje”. A ideia, defendida também por alguns portugueses, não angariou tanto apoio da plateia, que maioritariamente aplaudiu o repúdio ao governo de Michel Temer.

A Opera Mundi, o artista salientou que o ato desta sexta-feira não se tratava de uma luta corporativista da classe artística, uma vez que as críticas ao governo interino de Michel Temer abrangem diversas outras áreas. "Acredito que as mobilizações vão continuar, os teatros no Brasil estão sendo ocupados, e no exterior todos estão nos apoiando". 

Personalidades lusófonas repudiam governo Temer

O grupo Portugal pela Democracia, que organizou o evento, publicou um manifesto em repúdio ao que classifica de “farsa política” no Brasil, assinado por dezenas de figuras de destaque no cenário português, como os escritores portugueses Valter Hugo Mãe, Gonçalo M. Tavares, o angolano José Eduardo Agualusa, o humorista Ricardo Araújo Pereira e a jornalista e escritora luso-espanhola Pilar del Río, entre outros. "Somos negros e mulheres, jovens e velhas, artistas, gays e de muitas cores. Somos tudo o que o governo de Michel Temer não é", diz o manifesto.

Portugal pela Democracia via Facebook

O escritor angolano José Eduardo Agualusa (centro) foi uma das personalidades que se uniram ao ato em Lisboa

Ao microfone, aberto aos manifestantes, o fadista Sergio Godinho cantou, e outro português entoou a canção “Carinhoso”, de Pixinguinha. Para o escritor Agualusa, houve um único ponto positivo do afastamento de Dilma, que foi “despertar consciência” popular. “Há uma juventude em luta em todo o Brasil, este governo não durará muito”, afirmou. 

Luanda Cozete, cantora e filha do ex-padre português Alípio de Freitas, preso político no Brasil durante a ditadura militar, diz ter passado a infância “a visitar cadeias”, antes de se exilar com a mãe em Guiné Bissau. “Eu gostaria do fundo do meu coração de não estar aqui hoje, e que essas histórias fossem apenas histórias, e não testemunhos de vida”, contou.

A escritora brasileira Tatiana Salem Levy também compareceu ao ato em Lisboa. Ela afirmou a Opera Mundi que, embora não tenha votado em Dilma Rousseff, estava no local “em defesa da democracia”.

Portugal pela Democracia via Facebook

'Ministério da Cultura surgiu com o fim da ditadura militar e é fechado com o fim da democracia', disse Duvivier

Vozes anônimas ao público também juntaram-se ao ato em Portugal. A médica brasileira Carla Carezzato, em turismo em Lisboa, se disse “impressionada” com a energia vinda da comunidade internacional, já que, por vezes, se sente isolada e em um clima de depressão no Brasil.

A ideia de organizar o ato surgiu quando Duvivier já estava em Portugal. “Eu não planejei nada, mas depois de chegar a Lisboa, muitos portugueses vieram me propor isso”, disse o ator a Opera Mundi. Ele se mostrou otimista com as mobilizações populares, referindo-se às diversas ocupações de pontos de cultura no Brasil. Durante a semana, Duvivier concedeu diversas entrevistas à mídia local, tecendo duras críticas ao governo interino do Brasil.

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