Golpe no Brasil é 'completa negação da democracia', diz parlamentar trabalhista britânica

Em artigo, Diane Abbott lamenta falta de repercussão internacional do golpe e pede apoio da comunidade internacional a Dilma Rousseff

Redação


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Em artigo publicado nesta segunda-feira (23/05) no blog de política progressista britânico Left Foot Forward, a parlamentar trabalhista e secretária da oposição para o Desenvolvimento Internacional do Reino Unido, Diane Abbott, afirmou que o “golpe no Brasil é um ataque à democracia” e lamentou a falta de repercussão internacional sobre o tema.

Segundo ela, o processo de impeachment da presidente brasileira, Dilma Rousseff, que culminou com seu afastamento por 180 dias, é “a completa negação da democracia”, visto que ela "foi eleita por mais de 50 milhões de brasileiros e afastada por apenas 55 senadores".

Reprodução/Diane Abbott MP

A parlamentar Diane Abbott também é secretária da oposição para o Desenvolvimento Internacional do Reino Unido

No artigo, a parlamentar mencionou o posicionamento do secretário-geral da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), o colombiano Ernesto Samper, que afirmou que a decisão de iniciar um impeachment contra Dilma “comprometia a governabilidade democrática da região de uma maneira perigosa”. Abbott também lembrou que, dos países da América Latina, apenas o governo de direita da Argentina havia publicamente apoiado a administração interina brasileira.

Sobre o governo do vice-presidente Michel Temer, Abbott definiu-o como um de “neoliberalismo linha dura” mencionando, por exemplo, a intenção do governo de demitir pelo menos quatro mil funcionários públicos, a extinção de diversos Ministérios e a falta de diversidade do gabinete interino.

“Em um país incrivelmente diverso, o novo gabinete não tem mulheres, não tem ministros negros nem ninguém que se identifique como gay, lésbica ou transgênero”, ressaltou a parlamentar.
 

Ela lamentou ainda que o golpe tenha sido pouco repercutido no cenário internacional.

“Por que isto importa para nós interessados na democracia e no desenvolvimento internacional aqui na Europa?”, questionou Abbott. “Não apenas porque apoiamos a democracia pelo mundo todo, mas também por aquilo que o Brasil alcançou nos últimos anos em termos de inclusão social”.

A secretária da oposição britânica para o Desenvolvimento Internacional citou, então, algumas das conquistas de Dilma, seu antecessor, Lula, e o partido de ambos, o PT, como a redução da pobreza em 63% entre 2004 e 2014, e os programas sociais que levaram a isso.

Valter Campanato/Agência Brasil

Ao assumir a presidência interinamente, Temer anunciou um gabinete formado exclusivamente por homens brancos

Elogiando os programas Fome Zero e Bolsa Família, Abbott pontou que os governos do Partido dos Trabalhadores reduziram para menos de 3% o número de pessoas em extrema pobreza, “índice que o Banco Mundial considera equivalente à erradicação”. Ela salienta também que os níveis de vacinação chegaram aos 99% e a mortalidade infantil caiu em 40% dentro de uma década no Brasil.

“É claro, o Brasil também está enfrentando desafios e dificuldades massivas, mas governos eleitos democraticamente que pelo menos focam em reduzir a pobreza e a desigualdade merecem nosso apoio internacional. Não fiquemos em silêncio neste momento vital para o país e para a região”, finalizou a parlamentar britânica.

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