Em visita histórica a Hiroshima, Barack Obama pede fim de armas nucleares

Ao se tornar 1º presidente dos EUA em exercício a visitar cidade devastada por bombardeio em 1945, Obama pede que ataque seja 'despertar moral' contra armas nucleares

Redação

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se tornou nesta sexta-feira (27/05) o primeiro presidente norte-americano em exercício a visitar a cidade japonesa de Hiroshima, devastada há 71 anos por uma bomba atômica lançada pelos EUA no fim da Segunda Guerra Mundial.

Em visita ao Parque da Paz de Hiroshima, Obama depositou flores sobre o memorial aos cerca de 140 mil mortos em decorrência do ataque nuclear. Em discurso, o presidente dos EUA pediu que a humanidade “escolha um futuro em que Hiroshima e Nagasaki não sejam consideradas o princípio da guerra atômica, mas o início de nosso despertar moral.” “Temos que ter a coragem de escapar à lógica do medo e buscar um mundo sem armas nucleares”, disse Obama.

Agência Efe

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, e o presidente dos EUA, Barack Obama, no memorial aos mortos no ataque em Hiroshima

Como anunciado, o presidente dos EUA não ofereceu desculpas ao povo japonês pela decisão de seu predecessor Harry Truman no dia 6 de agosto de 1945. Após a cerimônia, Obama conversou com um grupo de sobreviventes do ataque.

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, acompanhou Obama durante a visita. Sua presença, disse o líder norte-americano, “ressalta a aliança extraordinária” entre os EUA e o Japão nas últimas sete décadas após o fim da Segunda Guerra.

Além de Hiroshima, os EUA atacaram com uma bomba atômica também a cidade japonesa de Nagasaki, no dia 9 de agosto de 1945. Enquanto os japoneses consideram os ataques atômicos dos EUA contra o país um crime de guerra, o consenso no Ocidente é que os ataques forçaram o Japão a se render – como o fez em 15 de agosto daquele ano –, precipitando o fim da guerra.

Han Jeong-soon, 58, cujo pai sobreviveu ao bombardeio nuclear em Hiroshima, disse à AP que o sofrimento causado pelo ataque “foi transmitido através de gerações”. “É isso que quero que o presidente Obama saiba. Quero que ele entenda nosso sofrimento.”

“Nós japoneses fizemos coisas horríveis pela Ásia”, declarou Seiki Sato, cujo pai também é um sobrevivente do ataque, ao NYT. “Nós deveríamos pedir desculpas porque nos envergonhamos e ainda não nos desculpamos com sinceridade a vários países asiáticos. Mas lançar uma bomba atômica foi completamente malévolo.”

Obama está em turnê pela Ásia nos últimos dias em decorrência da reunião dos líderes do G7 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos França, Itália, Japão, Reino Unido e da União Europeia), realizada no parque natural de Ise-Shima, no Japão. Antes de chegar ao país, o presidente dos EUA visitou o Vietnã, onde também se pronunciou sobre o legado da invasão dos EUA e da guerra travada entre os dois países, encerrada em 1975. Em Hanói, Obama anunciou o fim do embargo à venda de armas ao país, o que analistas veem como uma tentativa dos EUA de se estabelecer como aliado militar do Vietnã em meio à tensão entre o país asiático e a China.

Comentários

Leia Também