Condenação de Temer pela Justiça Eleitoral indica 'perigosa farsa' das elites, diz Intercept

Nesta quinta, TRE-SP enviou à zona eleitoral do presidente em exercício uma certidão que atesta sua inelegibilidade pelos próximos oito anos

Redação

A condenação de Michel Temer pela Justiça Eleitoral indica a “perigosa farsa” de setores da elite brasileira no processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, aponta um artigo publicado no site The Intercept nesta sexta-feira (03/06).

Agência Efe

Segundo artigo do Intercept, condenação do presidente em exercício Michel Temer pela Justiça Eleitoral indica "perigosa farsa" das elites

O texto, assinado pelo jornalista Glenn Greenwal e intitulado “O Colapso de Credibilidade do Michel Temer – Agora Inelegível Por Oito Anos”, afirma que desde o início do processo ficou “evidente” que seu principal objetivo era o “fortalecimento dos verdadeiros ladrões de Brasília”, que tentavam impedir as investigações da Operação Lava Jato.

Segundo o artigo, em 20 dias de governo Temer vieram à tona “provas irrefutáveis” do envolvimento do presidente interino em casos de corrupção, que já levaram ao afastamento de dois de seus ministros.

Greenwald escreveu que o “alarmante nível de corrupção” dos ministros tem servido para encobrir o envolvimento do próprio Temer em investigações. Um exemplo, de acordo com o artigo, foi sua condenação como candidato inelegível pela Justiça.

Nesta quinta-feira (02/06), o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de São Paulo enviou à zona eleitoral do presidente em exercício uma certidão para constar no sistema da Justiça que Temer, pelos próximo oito anos, é um candidato “ficha suja”.

Para a publicação, as violações da lei não são a transgressão mais grave do presidente em exercício, mas “revelam de forma evidente a fraude antidemocrática que a elite brasileira tenta perpetrar no país”.


 

“Em nome da corrupção, a presidenta eleita democraticamente foi afastada e substituída por alguém que, apesar de não estar impedido por lei de assumir cargos públicos, encontra-se por oito anos impedido de se candidatar ao cargo que exerce no momento”, diz The Intercept.

De acordo com o texto, "nada explica melhor a perigosa farsa que as elites brasileiras tentam impor à população do que o líder por eles escolhido ser impedido de se candidatar ao cargo que acabou de assumir, devido a uma condenação judicial”.

O artigo aponta também que o impeachment de Dilma, apesar de ainda provável, não parece mais completamente inevitável, como há algumas semanas, e que alguns senaodores estariam revendo seus votos no processo.

Na publicação, Greenwald afirma que “a hostilidade a esse ataque à democracia” cresce no Brasil e no exterior, assim como os protestos contra o governo interino, e cita iniciativas, como a de parlamentares europeus, de não negociar comercialmente com o Mercosul por considerar o governo Temer ilegítimo.

Segundo The Intercept, “não se trata apenas da destruição da democracia” ou da “imposição de uma agenda de privatizações e ataque aos pobres para benefício da plutocracia internacional”, mas do “fortalecimento de operadores corruptos – desrespeitando as regras democráticas – cinicamente conduzido em nome da luta contra a corrupção”.

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