Lideranças da comunidade judaica no Brasil apoiam ações militares de Israel

Lideranças da comunidade judaica no Brasil apoiam ações militares de Israel

Daniella Cambaúva

Quando Israel impediu que navios levando ajuda humanitária para Gaza chegassem ao território palestino por meio de uma ação militar em que nove pessoas morreram, o Estado judeu começou a receber uma onda de críticas não apenas de movimentos pró-palestina, mas também de figuras políticas ao redor do mundo. As condenações ganharam força após o ataque, ontem (7/6), a uma embarcação palestina, que supostamente carregava armas, em que mais quatro pessoas morreram.

Representantes da comunidade judaica brasileira – a segunda maior da América Latina – defenderam as ações militares israelenses em entrevista ao Opera Mundi. Para eles, o país agiu para se defender e que o bloqueio ao território palestino é necessário para garantir a paz no Oriente Médio.

Na opinião do presidente da Conib (Confederação Israelita do Brasil) e presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, Cláudio Lottenberg, a morte de civis do barco turco Mavi Marmara é “absolutamente lamentável”. Ele considera, porém, que o caminho do diálogo poderia ter sido buscado pelos ativistas. “Não entendemos por que toda a ajuda humanitária não pode ser encaminhada numa operação conjunta com os israelenses, como tem sido proposto, em vez de se buscar a via do confronto”.

Ricardo Stuckert/PR (20/09/2005)

Cláudio Lottenberg, presidente do Hospital Albert Einstein e da Confederação Israelita Brasileira (Conib),
durante homenagem a Lula


Como representante da comunidade judaica brasileira, Lottenberg afirmou também que Israel tem o direito de se defender e que a “raiz do problema no Oriente Médio está no fato de o direito à existência de Israel ser, desde sua criação até hoje, rejeitado por forças como o Hamas, o Hezbolá e o Irã”.

Já o professor José Luiz Goldfarb, conselheiro da Associação Brasileira Hebraica de São Paulo, rechaça a acusação do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, para quem Israel é um Estado terrorista. Para Goldfarb, o país agiu em defesa própria ao impedir que o comboio humanitário chegasse a Gaza. “Cada vez estão mais longe de um acordo. Eu não entendi a estratégia de enviar um barco e causar uma crise internacional”, afirmou. “É lamentável que tenha ocorrido desta forma, muitas vidas foram perdidas. Mas a reação das pessoas do barco não foi muito pacífica.”

“A Suprema Corte de Israel é uma das mais justas do planeta. Um Estado terrorista não tem uma Suprema Corte tão justa”, disse, ao contestar a afirmação de Erdogan.

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Território palestino

Assim como Goldfarb, Lottenberg também acredita que Israel tem razões para manter o bloqueio a Gaza. “A Faixa de Gaza, território do qual Israel se retirou unilateralmente em 2005, é governada pelo Hamas, uma força antidemocrática que prega a destruição do Estado judeu”, justificou o presidente da Conib.

Desde junho de 2007, quando o Hamas, eleito em 2006, assumiu o poder, Israel mantém o bloqueio à região, alegando que o grupo islâmico é apoiado pelo Irã. “A Faixa de Gaza tem uma relação complicada com Israel. Todo dia foguetes são lançados. Por isso, deve-se verificar o que entra em Gaza”, disse Goldfarb.

Para ele, é necessário também ter cuidado em momentos como esse, pois a interceptação da frota despertou muitos comentários antissionistas. “Depois acontece algo trágico, como o holocausto e o mundo diz: 'Sinto muito, não era para ser assim'”.

Ricardo Berkiensztat, vice-presidente executivo da Federação Israelita do Estado de São Paulo, disse que pode opinar como judeu que vive no Brasil, mas não como representante da entidade. Para ele, a questão árabe-israelense é muito complexa e o conflito no Oriente Médio não pode tomar proporções mundiais. Ele afirmou que ainda é cedo para tirar conclusões, mas disse acreditar no direito de Israel de se defender, pois o “contrabando de armas para a Faixa de Gaza é uma coisa absurda”.

A Federação Israelita do Estado de São Paulo e do Rio de Janeiro se recusaram a conceder entrevista, afirmando que somente a Embaixada de Israel no Brasil poderia se posicionar diante do tema.

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Posição oficial

Em entrevista ao Opera Mundi, Rafael Singer, conselheiro da Embaixada de Israel no Brasil afirmou que “Israel trabalhou no seu direito, Israel está no seu direito”. Segundo ele, o país “agiu como qualquer país agiria. Rejeitamos as críticas de políticos e da comunidade internacional”.

“As pessoas precisam entender que Israel controla Gaza porque [a região] está dominada pelo Hamas, um grupo que não contraria apenas Israel, mas também a ANP [Autoridade Nacional Palestina]”. Para Singer, “os ativistas buscaram a provocação” ao tentar levar ajuda humanitária para a região palestina. “A decisão do Conselho de Segurança [da ONU] é hipócrita. Com tantos problemas no mundo, somente focar em Israel”.

Um dia após a primeira interceptação, em 1º de junho, após mais de dez horas de discussões a portas fechadas, o Conselho de Segurança da ONU condenou as "ações" de Israel e pediu que o ataque fosse investigado.


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