Congresso pode ter aprovado impeachment de forma oportunista, diz FHC em entrevista a Al Jazeera

Questionado por entrevistador se líderes do processo de impeachment contra Dilma teriam credibilidade para cassá-la, ex-presidente tergiversou e disse que campanha para impedimento 'veio do povo'

Redação

Atualizada às 18h02

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) deu uma entrevista à emissora Al Jazeera, do Qatar, que foi transmitida no último sábado (02/07), sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Ele diz que a "campanha [pelo impedimento] veio do do povo, das massas nas ruas, não do Congresso", mas que este "pode o ter aprovado de forma oportunista".

Ao ser perguntado pelo âncora Mehdi Hassan se Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente afastado da Câmara dos Deputados; Waldir Maranhão (PP-BA), presidente interino da Casa; Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado; e o presidente interino Michel Temer (PMDB-SP), envolvidos em escândalos de corrupção, teriam credibilidade para votar o impeachment de Dilma, Fernando Henrique diz que os motivos que levaram o PMDB a retirar o apoio à atual presidente afastada "são diferentes" dos motivos pelos quais ele apoia o impeachment. Sem responder diretamente à pergunta, mesmo com a insistência do apresentador, o ex-presidente disse que eles "não lideraram campanha pelo 'impeachment'". 

Questionado pelo jornalista o motivo pelo qual Dilma estaria errada em dizer que sofreu "um golpe", o ex-presidente respondeu que ela agrediu "a Constituição em questões fiscais e usando dinheiro sem autorização do Congresso". "Este não é um crime no sentido do Código Penal, é um crime contra a Constituição. É um crime político", disse.

Em seguida, o apresentador afirma que o próprio Fernando Henrique "fez isso quando presidente, por volta de 2001-2002". "Você é acusado de pedalar em torno de US$ 300 milhões ao ano, em termos das taxas de câmbio de hoje", diz. Em resposta, Fernando Henrique diz que, em seu governo, aprovou a "lei fiscal" (Lei de Responsabilidade Fiscal). "No meu caso, a nova lei foi durante o meu governo, em 2001, a chamada lei fiscal, por isso, nos ajustamos à nova lei. Portanto, adiamos pagamentos de dois ou três milhões de dólares, mas, agora, estamos nos referindo a 14, 16, 20 bilhões de dólares. É bem diferente".

Reprodução

Ex-presidente FHC deu entrevista exibida neste final de semana à emissora Al Jazeera

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