Ideia brasileira de não passar chefia do Mercosul à Venezuela é 'desrespeito', diz chanceler do país

Para governo interino brasileiro, 'há um problema de política na Venezuela'; Caracas diz que transferência não está submetida "à condição alguma"

Redação

A ministra das Relações Exteriores da Venezuela, Delcy Rodríguez, criticou, em entrevista neste domingo (17/07) a posição de Brasil e Paraguai, que querem evitar que a presidência rotativa do Mercosul seja dada a Caracas, como previsto. Segundo ela, é um “desrespeito imediato e absoluto das normas”.

"É o desconhecimento expresso do estado de direito hemisférico, é o desconhecimento e a violação flagrante das normas dos tratados constitutivos fundamentais do Mercosul. É o desrespeito imediato e absoluto das normas que regulam todos nossos órgãos", criticou Rodríguez, em entrevista à emissora local Televén.

Ao se referir à reunião de Montevidéu, na última segunda-feira (11/07), na qual não houve decisão sobre a transmissão da presidência, Delcy falou em “maus gestos”.

Agência Efe (11.jul.2016)

Delcy, ao chegar em Montevidéu, na última reunião do Mercosul: para ela, posição brasileira é 'desrespeito absoluto às normas'

"O que está ocorrendo à margem disso, por parte de Brasil e Paraguai, é uma coisa inédita, insólita, que eu chamei de maus gestos. São iguais aos maus gestos de Luis Almagro [secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, que a Venezuela acusa de interferência]", disse.

Delcy reiterou que a transferência "não está submetida à condição alguma”. "É um assunto que não está sujeito a votação, a consenso, pois opera automaticamente", afirmou.

No encontro da última segunda-feira, o representante brasileiro, o subsecretário para América do Sul, Central e Caribe do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Paulo Estivallet, disse que "há questões fundamentais em relação à transferência da presidência à Venezuela que, para o Brasil, parece não estarem resolvidas".

"Para o governo brasileiro, está claro que há um problema de política na Venezuela, que põe em dúvida se as credenciais neste momento para assumir a presidência são as que se esperam", afirmou.

Já o chanceler do Paraguai, Eladio Loizaga, disse que seu país defende que todos as nações-membros ajustem suas Constituições ao Tratado de Assunção (acordo constitutivo do bloco assinado em 1991) e aos protocolos de direitos humanos do Mercosul.

Conselho de Mercado Comum

No próximo dia 30 de julho, está marcada uma nova reunião do Conselho de Mercado Comum (CMC) do Mercosul para tratar mais uma vez do tema. O CMC reúne os ministros das Relações Exteriores e de Economia dos países-membros do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela) e é o principal órgão de decisão do bloco abaixo da cúpula de chefes de Estado.

No sábado (16/06), o ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, disse que o Mercosul está diante de "um grande problema" quanto à transferência da presidência pró-tempore. Segundo ele, a situação "pouco avançou" na última segunda-feira, porque os países estão "bastante firmes" sobre suas posições. 

(*) Com Efe

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