Após críticas por censurar foto icônica da Guerra do Vietnã, Facebook libera publicação de imagem

Rede social de Mark Zuckerberg havia deletado publicações com a fotografia, vencedora do Pulitzer, de criança correndo nua após ataque de napalm em 1972

Redação

O Facebook decidiu, nesta sexta-feira (09/09), liberar a publicação de uma icônica foto da Guerra do Vietnã (1955-1975), após críticas e acusações de "censura" e "abuso de poder" contra o fundador e executivo-chefe da rede social, Mark Zuckerberg. 

Antes disso, também nesta sexta-feira, a rede social apagou uma publicação com a famosa foto postada pela primeira-ministra da Noruega, Erna Solberg, em seu perfil oficial, sob alegação de que a imagem desrespeita o regulamento do site a respeito de nudez infantil.

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A foto em questão, tirada em 8 de junho de 1972 por Nick Ut e vencedora do prêmio Pulitzer no ano seguinte, mostra pessoas correndo após um ataque do então Vietnã do Sul com napalm, um gel pegajoso e incendiário, contra a cidade de Trang Bang. Entre eles está Kim Phuc, então com nove anos de idade, correndo nua.

A primeira-ministra Solberg, assim como outras personalidades políticas norueguesas, fez o post em apoio a Tom Egeland, escritor norueguês que postou a foto de Ut na rede social nesta quinta-feira (09/09) em uma publicação sobre sete fotografias que mudaram a história das guerras.

Agência Efe

Capa do jornal norueguês Aftenposten com carta de protesto contra Zuckerberg

Inicialmente a rede social deletou apenas a imagem sobre a Guerra do Vietnã. Em seguida, após Egeland publicar um protesto contra a decisão do Facebook, seu post foi deletado, e o escritor suspenso da rede social.

No post deletado, a primeira-ministra da Noruega afirmava que a decisão do Facebook “ajuda a cercear a liberdade de expressão”. “Digo não a esta forma de censura”, completou Solberg.

Um post do diário norueguês Aftenposten sobre o episódio envolvendo Egeland também foi deletado do site administrado por Zuckerberg.

De acordo com o editor do jornal, Espen Egil Hansen, a publicação foi retirada do Facebook menos de 24h após o diário receber um pedido para remover ou pixelizar a fotografia.
 

Hansen recusou-se a apagar a foto e escreveu uma carta aberta a Mark Zuckerberg, que foi publicada na capa do diário.

Ele disse estar “chateado, desapontado - e até com medo do que você [Zuckerberg] está prestes a fazer a um dos pilares de nossa sociedade democrática”.

“Acho que você está abusando de seu poder, e acho que é difícil acreditar que você tenha pensado sobre isso cuidadosamente”, acrescentou Hansen.

Kim Phuc, que hoje tem 53 anos de idade e vive no Canadá, divulgou um comunicado afirmando que estava "triste por quem se concentra na nudez na histórica fotografia, e não na poderosa mensagem que a imagem transmite".

Ao deletar as imagens, o Facebook alegou em comunicado que, apesar de reconhecer que a imagem é “icônica”, “é difícil criar uma distinção entre permitir uma fotografia de uma criança nua em um caso e não em outros”.

Após as críticas, em um segundo comunicado, a rede social afirmou que, após ouvir “sua comunidade”, consultou novamente os padrões aplicados no caso. “A imagem de uma criança nua normalmente presumiria violar nossos padrões de comunidade, e alguns países poderiam até qualificar como pornografia infantil. Nesse caso reconhecemos a história e a importância global dessa imagem em documentar um momento particular no tempo”.

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