Expansão de assentamentos israelenses em território palestino 'não ajuda' a alcançar a paz, dizem EUA

Declaração indica ressalva da nova administração dos EUA aos recentes anúncios do governo de Netanyahu de ampliar colônias judaicas em Jerusalém Oriental e Cisjordânia, mas também afirma que assentamentos não são 'impedimento para a paz'

Redação

O governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (02/02) que a expansão dos assentamentos israelenses em território ocupado palestino “podem não ajudar” na construção da paz entre os dois povos. A Casa Branca, entretanto, disse não considerar os assentamentos já existentes “um impedimento para a paz”, como sustenta a comunidade internacional e como afirmava o governo de Barack Obama.

“O desejo norte-americano por paz entre israelenses e palestinos permanece o mesmo nos últimos 50 anos. Embora não acreditemos que a existência de assentamentos seja um impedimento para a paz, a construção de novos assentamentos ou a expansão dos já existentes além de seus limites atuais podem não ajudar a alcançar este objetivo”, disse a Casa Branca em comunicado.

A declaração indica a ressalva da nova administração norte-americana aos recentes anúncios do governo de Benjamin Netanyahu de ampliar as colônias judaicas em Jerusalém Oriental e Cisjordânia, territórios palestinos ocupados por Israel.

Desde a campanha eleitoral, Trump sinalizou seu apoio a Netanyahu e aos assentamentos israelenses na Palestina, em contraste com a reiterada condenação do governo Obama à política de colonização israelense. Já nas primeiras duas semanas do novo governo dos EUA, Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, anunciou a aprovação de pelo menos 6.000 novas casas nos assentamentos já existentes e a construção oficial de uma nova colônia, a primeira desde 1992.

Agência Efe

Prédio residencial em construção no assentamento judaico de Kiryat Arba em Hebron, na Cisjordânia

O governo israelense desafia assim a legislação internacional, que considera ilegais as colônias judaicas em território palestino, e o Conselho de Segurança da ONU, que no fim de dezembro aprovou a resolução 2334, que determina que os assentamentos “não têm validade legal” e são “uma violação flagrante de leis internacionais e o maior obstáculo para a solução de dois Estados”.

Mais de 600 mil judeus israelenses vivem em cerca de 140 assentamentos construídos por Israel desde 1967 na Cisjordânia e na região leste de Jerusalém, territórios palestinos que o Estado criado em 1947 ocupou após a Guerra dos Seis Dias.

“O governo Trump não tem uma posição oficial sobre as iniciativas de assentamentos e está ansioso para seguir conversando sobre o tema, inclusive com o primeiro-ministro Netanyahu durante sua visita ao presidente Trump neste mês”, disse a Casa Branca.

Segundo oficiais israelenses ouvidos pela agência de notícias AFP, o governo Netanyahu entendeu o recado de Trump e irá de fato esperar a reunião com o presidente dos EUA, marcada para o dia 15 de fevereiro em Washington, para decidir sobre novas expansões ou construções.

Já oficiais palestinos consideraram a declaração norte-americana “preocupante” por sugerir que os assentamentos não são um problema, ao contrário do que determina a legislação internacional. O comunicado da Casa Branca “vai contra 50 anos de política norte-americana clara em relação a assentamentos israelenses na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental”, disse um oficial palestino à AFP

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