Novas restrições de viagens a Cuba impostas pelos EUA confirmam retrocesso bilateral, diz Havana

'Isso funcionou em 55 anos? É o velho discurso, 'sancionamos Cuba, pressionamos seu governo para provocar mudanças'. Não funciona, não funcionou nunca', afirmou diretora da Divisão Geral dos Estados Unidos no ministério cubano

Redação (*)

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As novas medidas anunciadas por Washington sobre viagens entre Estados Unidos e Cuba, que dificultam as movimentações e as transações com a ilha, são um “sério retrocesso nas relações bilaterais”, afirmou o Ministério de Relações Exteriores cubano em nota divulgada nesta quarta-feira (08/11).

“Isso funcionou em 55 anos? É o velho discurso, ‘nós sancionamos Cuba, pressionamos seu governo para provocar mudanças’. Não funciona, não funcionou nunca”, afirmou Josefina Vidal, diretora da Divisão Geral dos Estados Unidos no ministério cubano.

“As medidas implicam um recrudescimento do bloqueio e da proibição de viajar a Cuba. Algumas não ocultam seu propósito subversivo, como a que encoraja os viajantes a praticar esse tipo de atividade para justificar a legalidade de suas viagens a Cuba”, disse.

Segundo as medidas impostas pelo gabinete de Donald Trump e pelo Departamento de Estado, cidadãos norte-americanos só poderão visitar a ilha caribenha em "grupos organizados" e "guiados por um representante".

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Cuba afirma que novas restrições de viagem partindo dos EUA são mostra de retrocesso

Além disso, o governo proibiu a hospedagem em uma longa lista de hotéis e vetou trocas comerciais com 179 empresas, entre restaurantes, lojas, outras empresas ligadas ao governo cubano ou às forças de segurança do país e até marcas de refrigerante e rum.

As regras são as mesmas que existiam antes do processo de reaproximação iniciado por Obama e Raúl Castro, no fim de 2014. As restrições chegam um dia depois de Cuba bater recorde no número de turistas, que já superou a marca de 4 milhões em 2017.

“Estas medidas causarão danos à economia cubana e a seus setores estatais e não estatais. Também causarão danos aos cidadãos estadunidenses, cujo direito de viajar a Cuba, único país no mundo que não podem visitar livremente, se verá ainda mais restringido. Além disso, elas afetarão os empresários dos EUA, que perderão interessantes oportunidades de negócios existentes hoje em Cuba”, afirmou Vidal.

As tensões entre os dois países voltaram a subir nos últimos meses, após Trump ter acusado Havana de promover "ataques acústicos" contra a Embaixada dos EUA. Nada, até agora, foi provado, e a própria ilha auxilia nas investigações sobre o suposto ataque.

(*) Com Ansa

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