Coalizão de esquerda Frente Ampla supera pesquisas e se consolida como 3ª força política do Chile

'O Chile quer mudanças e mais de 1,2 milhão de pessoas votaram pela mudança', afirmou candidata Beatriz Sánchez em seu discurso após divulgação do resultado

Rafael Targino

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Atualizada às 18h10

A coalizão de esquerda Frente Ampla (FA) obteve neste domingo (19/11) um resultado melhor do que previsto pelas pesquisas, ficando a poucos votos de passar para o segundo turno com o ex-presidente Sebastián Piñera e se consolidando como terceira força política no Chile.  

. Os institutos só podem divulgar números de intenções de voto até, no máximo, 15 dias antes das eleições.

"Somos uma força que chegou para ficar", afimou Sánchez, em discurso após a divulgação dos resultados. Ela não deixou de notar a disparidade entre as pesquisas e o que saiu das urnas. "Se as pesquisas tivessem dito a verdade, estaríamos no segundo turno", disse.

Além do expressivo resultado na eleição para presidente, a Frente Ampla também conseguiu um bom número de cadeiras na Câmara dos Deputados e no Senado. Segundo o Servel (Serviço Eleitoral do Chile), a FA elegeu um senador e 20 deputados, efetivamente se tornando a terceira força na Câmara Baixa (atrás da direitista Chile Vamos, de Piñera, que terá 73, e da centro-esquerdista Nova Força da Maioria, que apoia Guillier, com 43).

A presidente Michelle Bachelet disse que a eleição deste domingo tornou realidade "mudanças que fortalecem a democracia". "Hoje se abre ante ao país uma nova eleição, cujo resultado está aberto e dependerá do que nossos compatriotas dirão em 17 de outubro."

Origens

A origem da Frente Ampla guarda certa relação com a Nova Maioria - que, por sua vez, é descendente da Concertação, responsável por juntar a Democracia Cristã, o Partido para a Democracia (PPD), o Partido Radical Socialdemocrata (PRSD), o PS (Partido Socialista) e outros menores na época do plebiscito que decidiu pela saída do ditador Augusto Pinochet.

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Patricio Alarcón/Flickr CC

Beatriz Sánchez ficou em terceiro lugar nas eleições presidenciais do Chile

Entre 1990 e 2010, todos os presidentes chilenos saíram desta coalizão: Patricio Aylwin, Eduardo Frei (democratas-cristãos), Ricardo Lagos e Bachelet (socialistas). A sequência só foi interrompida com a eleição de Piñera, em 2010, e a Concertación foi para a oposição. Em 2013, novos partidos se juntaram à coalizão e formaram a Nova Maioria: Esquerda Cidadã, Partido Comunista e Movimento Amplo Social. Rebatizado, o grupo de partidos levou Bachelet novamente ao governo.

Em janeiro de 2016, a Revolução Democrática, fundada por Giorgio Jackson, e a Esquerda Autônoma, criada por Boric (ambos reeleitos no domingo), entregaram seus cargos no governo Bachelet, anunciaram um distanciamento da Nova Maioria e fundaram a Frente Ampla, que se inspira na sua versão uruguaia e diz querer ser uma alternativa de esquerda aos atores tradicionais da política do país.

Um ano depois, a Nova Maioria teve um novo racha: a Democracia Cristã decidiu não participar das primárias da coalizão e lançou candidata própria – a da líder do partido, Carolina Goic, que terminou com 5,88%. Guillier passou a ser apoiado pela coalizão de centro-esquerda Nova Força da Maioria, da qual fazem parte o Partido Comunista, o PPD, o PRSD e o PS.

Mudança

“O Chile quer mudanças e mais de 1,2 milhão de pessoas votaram pela mudança”, afirmou Sánchez.

Ela disse que enfrentou uma concorrência desigual. “Havia um candidato que gastou seis vezes mais que nós, dez vezes mais que nós. Aqui houve trabalho, seriedade, porque aqui houve coerência, porque houve convicção, porque o fizemos de maneira honesta, não quisemos enganar ninguém”, disse.

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