Itália: liderado por Berlusconi, discurso anti-imigração ganha força a menos de um mês das eleições no país

Polarização em torno da imigração vem favorecendo legendas de extrema-direita no país; coalizão liderada por Berlusconi lidera pesquisas

Redação

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O discurso anti-imigração tem marcado a agenda de campanha dos principais partidos italianos que concorrem às eleições do próximo dia 4 de março, quando será definido o novo parlamento e, em seguida, o novo primeiro-ministro. O ex-premiê Silvio Berlusconi, cujo grupo político lidera as pesquisas, vem usando a morte de uma jovem, em janeiro deste ano, como plataforma para sua campanha.  

Na semana passada, Berlusconi afirmou que, caso a coalizão entre seu partido, o Força Itália, e legendas de extrema-direita (as ultranacionalistas Irmãos da Itália e a Liga do Norte) vença, pretende deportar mais de 600 mil imigrantes sem documentação. Os três partidos da chapa têm defendido abertamente uma posição xenófoba.

“Há uma angústia social difundida que se origina da presença na Itália de um número enorme de imigrantes ilegais”, afirmou à emissora estatal RAI. Segundo ele, existem na Itália “ao menos 630 mil [imigrantes] irregulares”, que representam “uma bomba social pronta para explodir, porque vivem de trabalhos clandestinos e crimes."

As declarações de Berlusconi causaram reações do chefe político do partido eurocético Movimento Cinco Estrelas (M5S), Luigi de Maio. “Sobre o tema, ele se propõe agora com um salvador da Pátria, quando ele é o traidor da Pátria. A bomba social sobre a imigração foi criada por Berlusconi quando ele bombardeou a Líbia”, disse. 

A guerra na Líbia, citada por Di Maio, refere-se à derrubada de Muammar Kadhafi, em 2011. Em março daquele ano, operações militares lideradas pelos Estados Unidos e que contaram com o apoio da Itália, França e Canadá, bombardearam o país. Berlusconi era o primeiro-ministro na época.

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Chapa de ex-primeiro ministro lidera intenções de voto para eleições de março

A volta de Berlusconi

O ex-premiê Berlusconi “renasceu” na política, mesmo envolvido com uma série de processos, e aguarda uma decisão da Corte de Direitos Humanos de Estrasburgo para saber se poderá assumir ou não o cargo em caso de vitória. Ele foi condenado a mais de dois anos de prisão por evasão de divisas em 2012 e passou a ser inelegível por conta da lei Saverino – semelhante à Ficha Limpa brasileira.

Por diversas vezes, Berlusconi disse que o presidente do Liga do Norte seria seu ministro do Interior – e que buscaria um nome de maior consenso para indicar como primeiro-ministro, caso não seja liberado para assumir. Porém, de acordo com as estimativas, nem a coalizão de Berlusconi, nem os outros partidos sozinhos terão maioria no Parlamento, o que pode colocar a Itália em um novo período de incertezas.

Aumento da xenofobia

A jovem Pamela Mastropiero, de 18 anos, foi encontrada morta e desmembrada dentro de duas malas, na cidade de Pollenza em 31 de janeiro deste ano. A brutalidade do crime, que tomou o noticiário italiano, passou a ganhar contornos políticos quando a polícia declarou que o principal suspeito do assassinato era Innocent Oseghale, um imigrante nigeriano.

Então, Luca Traini, de 28 anos, decidiu dias depois disparar contra negros de dentro de seu carro na cidade de Macerata. Ao menos 11 inocentes foram alvejados durante o ataque. Traini, que é conhecido por suas tendências extremistas e racistas, já havia sido candidato pela Liga do Norte.

Além de ferir 11 pessoas, Traini abriu fogo contra a sede do governista Partido Democrático (PD) e contra estabelecimentos “frequentemente visitados por imigrantes”, segundo afirmou em depoimento para a polícia italiana.

O líder do Liga do Norte, Matteo Salvini, negou envolvimento com Traini, mas se aproveitou do crime cometido em janeiro para angariar simpatizantes. Salvani declarou que “a imigração sem controle leva ao confronto social”. Segundo ele, imigrantes são “clandestinos que não deveriam estar no país”. Afirmou ainda que, caso eleito, a "segurança voltará às ruas". 

O M5S aparece em segundo nas pesquisas, logo após a coalizão do ex-premiê. Em terceiro, está o PD, do ex-premiê Matteo Renzi e do atual, Paolo Gentilioni.  No entanto, segundo o levantamento do Instiuto Ipsos, divulgado em janeiro, nenhum dos partidos deverá alcançar maioria.

(*) Com informações da Ansa

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