Presidente da África do Sul diz que não vai renunciar, apesar de pressão do partido

Zuma, que tem mandato até 2019, nega estar desafiando ANC, que é quem escolhe o presidente por ter maioria parlamentar; partido deve entrar com moção de desconfiança

Redação

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O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, afirmou nesta quarta-feira (14/02), em entrevista à emissora SABC, que não vai renunciar, apesar de seu partido, o Congresso Nacional Africano (CNA), pressioná-lo para tal. Zuma afirmou que o CNA não apresentou razões para que ele saia do cargo.

“Alguns dos líderes estão estimulando este debate e alguns deles disseram que o que resta é a renúncia de Zuma ou uma moção de desconfiança. Então, quando esse tipo de motivação é levantada, fica mais urgente saber ‘o que eu fiz?’. Infelizmente, ninguém me disse que as razões” para a renúncia, afirmou.

Contra Zuma, pesam diversas denúncias de corrupção. Desde que o vice-presidente do país, Cyril Ramaphosa, assumiu a liderança do partido, o mandatário vem sendo pressionado a deixar o cargo. Zuma, que tem mandato até 2019, nega estar desafiando a agremiação, que é quem escolhe o presidente por ter maioria parlamentar.

“Não desafiei o partido e, como você deve saber, há muitas coisas acontecendo e coisas ditas que não tive a oportunidade de dizer, parcialmente porque eu acredito que deve se lidar com as coisas de uma maneira particular, ao invés de levar a vocês da mídia”, disse.

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Zuma disse que não renuncia

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Ultimato

O CNA havia dado até a meia-noite desta quarta (20h em Brasília) para que Zuma renunciasse. Com resposta negativa do presidente, membros do partido já falam abertamente em uma moção de desconfiança já para esta quinta (15/02). Se ela for aprovada, Zuma terá que deixar o cargo.

"Não podemos manter a África do Sul esperando mais, a decisão deve ser implementada e agora devemos proceder com o processo parlamentar", afirmou o tesoureiro-geral do CNA, Paul Mashatile.

A moção é vista como último e indesejado recurso do CNA para remover Zuma, já que um eventual impedimento do presidente dividiria ainda mais o partido, no poder desde o fim do apartheid, em 1994.

No entanto, se concretizada, a remoção do presidente não seria a primeira a acontecer desde a chegada da ANC ao poder. Em 2008, após ser eleito líder do partido, o próprio Zuma participou das manobras para forçar a renúncia do então presidente Thabo Mbeki.

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