Ex-ditador Jorge Videla assume culpa por crimes na ditadura argentina

Ex-ditador Jorge Videla assume culpa por crimes na ditadura argentina

Marina Terra

Atualizada às 09h de hoje (6/7)

O ex-ditador argentino Jorge Videla assumiu sua responsabilidade na repressão movida durante seu governo  (1976-1983), ao se declarar culpado nesta segunda-feira (5/7) na segunda audiência de um julgamento oral e público por crimes contra a humanidade.

"Reitero e assumo minhas responsabilidades em todas as ações realizadas pelo exército na guerra contra dos subversivos", disse Videla, que acrescentou que "os subordinados se limitaram" a cumprir suas ordens. 

"Assumo em plenitude minhas responsabilidades":


Além do primeiro dos quatro presidentes da última ditadura, de 84 anos, estavam sentados no banco dos réus o general Luciano Benjamín Menéndez e outros 23 acusados. Todos eles devem responder pelo fuzilamento em 1976 de 30 detidos em uma prisão da província de Córdoba. 

Videla e Menéndez são acusados de violação aos direitos humanos durante a ditadura no país. É o terceiro julgamento por crimes contra a humanidade realizado na cidade argentina, mas o primeiro de Videla depois que houve um julgamento de membros da junta militar.

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Videla e Menendez são acusados em dois processos, pela morte de 32 presos políticos e por sequestros e torturas cometidos pelo Departamento de Polícia de Informações (conhecido pela sigla D2). Um dos casos mais emblemáticos é conhecido por UP1, e o principal acusado é Videla.

O ex-presidente é apontado como mandante da execução de 32 prisioneiros políticos, no período de abril a outubro de 1976, em San Martín Prison Unit - na cidade de Córdoba. As vítimas foram presas antes do golpe de Estado, de 24 de março de 1974. As vítimas foram acusadas pelo Judiciário da época de violar a lei anti-subversão. Homens e mulheres foram massacrados até a morte em circunstâncias diferentes.

O ex-ditador, que também enfrenta acusações na Itália, na Espanha, na França e na Alemanha pelas mortes de civis na Argentina, chegou a ficar em cadeias militares e em prisão domiciliar, mas agora está em uma cela comum. Com o ex-ditador já condenado à prisão perpétua, o julgamento que começa nesta sexta não pode elevar seu tempo na cadeia, mas as famílias das vítimas consideram que uma possível condenação pode ajudar a superar as mortes.

O tribunal é presidido por Jaime Diaz Gavi, acompanhado desta vez por Carlos Lascano, Julio María José Pérez Villalobos e Carlos Arturo Ochoa. A acusação, por meio do Ministério Público, é conduzida por Carlos Maximiliano e Hairabedián Gonella, com apoio de Pablo Bustos Fierro.


*Com agências

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