Trump propõe liberar fundos para armar e treinar 1 milhão de professores

Medida pretende dissuadir novos atentados, como o que ocorreu na Flórida, na última semana; proposta consiste em criação de bônus para professores que queiram se armar

Redação

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A Casa Branca sugeriu nesta quinta-feira (22/02) a possibilidade de liberar fundos para treinar e armar até 1 milhão de professores. A medida, segundo o governo norte-americano, serviria para dissuadir novos massacres, como o que ocorreu em uma escola da Florida na última semana.

Durante uma reunião com jornalistas, o presidente Donald Trump defendeu a criação de um “bônus” que seria concedido para a parcela de professores que esteja disposta a participar de um treinamento e “que entendam de armamento”.

Segundo Trump, “10,20,40%” dos professores podem ser qualificados para receber o adicional, especialmente caso sejam militares aposentados. “Eu quero minhas escolas protegidas assim como quero meus bancos protegidos”, afirmou o presidente.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, jornalistas perguntaram à Casa Branca sobre os impactos da aplicação desta medida caso o valor do adicional fosse de, por exemplo, mil dólares por professor – gasto que seria traduzido em 1 bilhão de dólares, caso 40% dos professores passassem a receber o adicional.

The Ale Party/Facebook/Reprodução

“Você realmente acha que é demais para pagar pela segurança das escolas?”, respondeu Raj Shah, vice-secretário de imprensa da Casa Branca. Segundo ele, Trump pretende conversar com membros do Congresso sobre propostas legislativas e orçamentárias para colocar a medida em prática.

Trump também usou seu Twitter para defender a medida. “Eu quero minhas escolhas protegidas da mesma forma que quero meus bancos protegidos”, afirmou o presidente. Segundo ele, “escola sem armas é um ímã para pessoas más”.

Rejeição à ideia

Sobreviventes do ataque na Flórida rejeitaram a ideia de armar professores e defenderam que o problema seja resolvido por meio do endurecimento das leis que regulam o comércio de armas nos EUA. Entre as propostas, está a proibição da venda de fuzis militares e de cartuchos de munição com mais de dez balas.

O professor da Federação Americana de Professores, organização que conta com mais de 1,7 milhão de associados, Rand Weingarten, afirmou que a proposta de Trump é uma “das piores idéias” que ouviu em meio a “uma série de ideias muitas ruins”. A Associação Nacional de Professores também rejeitou a medida. “Educadores precisam estar focados em educar nossos estudantes”, afirmou Lyly Eskelsen García, presidente da instituição.

Na série de mensagens em seu Twitter, Trump também reafirmou que irá pressionar o Congresso para aumentar de 18 a 21 anos a idade mínima para compra de armas. O mandatário também disse que pedirá para um maior reforço para a manutenção de um banco de dados que verifica os antecedentes criminais e saúde mental de possíveis compradores.

A questão da importância no controle na venda de armas no país ressurgiu após um novo massacres. No dia 14 deste mês, Nikolas Cruz, de 19 anos, invadiu a Escola Stoneman Douglas, em Parkland, com um rifle AR-15. Cruz matou 17 pessoas e foi preso em seguida. 

Haroldo Ceravolo, diretor de redação de Opera Mundi participou de um bate-papo sobre o movimento Never Again, que pretende pressionar o governo para a criação de leis mais duras para a venda de armas. Assista:

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