Morre general da ditadura argentina condenado a 12 prisões perpétuas

Luciano Benjamín Menéndez foi responsável por desaparecimentos, assassinatos, sequestros, e roubo de bebês enquanto chefe do 3º corpo do Exército

Redação

O general do Exército argentino Luciano Benjamin Menéndez, responsável por liderar a repressão na província de Córdoba durante a ditadura militar no país, morreu nesta terça-feira (27/02), aos 90 anos.

Conhecido como “A Hiena”, Menéndez foi o militar que mais recebeu condenações por violações de direitos humanos durante a ditadura da Argentina, somando 12 prisões perpétuas: uma sentença de 20 anos de prisão, e outra de 12, por crimes de lesa humanidade enquanto chefe do 3º corpo do Exército.

Entre os crimes cometidos por Menéndez estão o fuzilamento de 31 presos políticos mantidos sob sua custódia na Unidade Penitenciaria San Martin, em 1976; o fuzilamento de 5 montoneiros (organização político-militar argentina de guerrilha urbana); e o massacre de Palomitas, em 1976, quando 11 presos políticos foram retirados de suas celas e assassinados.

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Luciano Benjamín Menéndez foi responsável por desaparecimentos, assassinatos, sequestros e roubo de bebês enquanto chefe do 3º corpo do Exército argentino

Em 2014, Menendéz foi condenado pela morte do bispo Enrique Angelelli, em 1976. Esta foi a primeira condenação pelo assassinato de um sacerdote de alta hierarquia no país. O caso chegou a contar com a atenção particular do papa Francisco.

Menéndez foi condenado também por desaparecimentos (inclusive envolvendo bebês), sequestro e tortura, o que lhe rendeu a vinculação em mais de 800 crimes de lesa humanidade cometidos entre 1975 e 1979.

Em 1990, Menéndez havia recebido indulto do então presidente argentino Carlos Menem (1989-1999). No entanto, a Suprema Corte do país declarou o perdão inconstitucional em 2005, e, em 2008 o general recebeu sua primeira sentença por crimes de lesa humanidade: foi condenado por sequestrar, torturar e matar quatro militantes do Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT) em 1997.

Durante as ocasiões em que falou publicamente, o ex-general defendeu o legado de repressão adotado durante o período. Segundo ele, “nossos inimigos foram os terroristas marxistas. Jamais perseguimos ninguém por suas idéias políticas”.

Embora tenha sido condenado a cumprir seus crimes em regime fechado, Menéndez acabou por conseguir regime domiciliar. O ex-militar estava internado em um hospital de Córdoba. 

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