Justiça do Pará determina suspensão parcial das atividades da mineradora norueguesa Hydro Alunorte

Empresa parcialmente controlada pelo governo da Noruega admitiu que construiu duto clandestino para despejar rejeitos químicos no meio ambiente

Lilian Campelo | Brasil de Fato

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O Tribunal Justiça do Pará decidiu suspender parcialmente as atividades da empresa norueguesa Hydro Alunorte, acusada de crime ambiental. A recomendação foi solicitada pelo Ministério Público Estadual em medida cautelar.

Na decisão desta quarta-feira (28/01), o juiz Iran Sampaio determinou a redução em 50% de toda a produção industrial da mineradora. Além disso, também ordenou o embargo da bacia de rejeitos DSR2 até que seja apresentada a licença de operação ambiental.

Em sua argumentação, o juiz estadual destacou que a conduta praticada pela empresa é de desrespeito à população de Barcarena e a permanência das suas atividades gera um “risco iminente de desastre ambiental de grandes proporções, com a contaminação dos rios, atingindo a totalidade da população desta Cidade além da possibilidade de contaminação das águas que abastecem a Capital".

A ordem judicial tem caráter de urgência e deve ser cumprida imediatamente. Caso a Hydro Alunorte não acate a decisão da Justiça do Pará, poderá ser multada em R$ 1 milhão por dia, além de ser decretada prisão preventiva de seu responsável legal.

Blog do Bordalo/Reprodução

Contaminação provocada pela Hydro Alunorte prejudicou comunidades em torno da mineradora

A mineradora, parcialmente controlada pelo governo norueguês (que tem 34,3% das ações), poderá recorrer. Em nota, a Hydro Alunorte informou que está analisando a decisão da Justiça, bem como as medidas necessárias para implementá-la, e divulgará em breve novas informações.

Entenda o caso

No dia 17 de fevereiro, uma das bacias de rejeitos da empresa Hydro Alunorte transbordou, contaminando o meio ambiente e colocando em risco a saúde de comunidades rurais em Barcarena, nordeste do Pará. 

Durante a visita dos técnicos das Secretarias Municipal e Estadual de Meio Ambiente, do Ministério Público e do Instituto Evandro Chagas (IEC), foi constatada a existência de uma tubulação irregular no depósito de rejeitos que lançava os excessos de efluentes para o meio ambiente.

A empresa, no entanto, nega o vazamento, mas admitiu a existência de um duto clandestino.

O IEC fez análise das amostras do material colhido no local e verificou a presença de elevados níveis de chumbo, alumínio, sódio, além de outras substâncias danosas à saúde humana.

(*) Publicado em Brasil de Fato

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