Opera Mundi participa de encontro sobre italiano morto pela ditadura brasileira

Evento acontece no mesmo dia da audiência do caso que julga generais brasileiros por crimes cometidos durante a Operação Condor

Janina Cesar

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A correspondente de Opera Mundi na Itália, Janaina Cesar, participa na próxima segunda-feira (19/03) de um debate sobre a morte do italiano Libero Giancarlo Castiglia, assassinado pela ditadura civil-militar brasileira. O encontro ocorre em ocasião do lançamento do livro Joca, il Che dimenticato, escrito pelo jornalista Alfredo Sprovieri. Organizado pela Associação 24 Marzo, o lançamento acontece a partir das 17h30 (hora da Itália, 13h30 em Brasília), na Fundação Lelio Basso, em Roma.

Alfreldo narra com precisão a história de Joca, ou melhor, Libero Castiglia, partindo da Calábria, sua terra de origem, e terminando numa ossada encontrada em uma fossa clandestina no meio da floresta amazônica. Libero emigrou ao Brasil em meados da década de 1950. Trabalhou como metalúrgico no Rio de Janeiro e colaborou com o jornal comunista A Classe Operária. Após o golpe de 1964, quando os militares destituíram o então presidente João Goulart, Castiglia poderia ter voltado para a Itália, mas decidiu lutar. Foi o único estrangeiro a participar da guerrilha do Araguaia nos anos 1970. Entrou para a lista de desaparecidos e seu corpo nunca foi identificado.

Quando encontram a fossa clandestina, um ministro brasileiro viajou até a Calábria para recolher provas de DNA de Elena Gibertini, mãe do guerrilheiro. Entretanto, após aquela visita, o silêncio sobre o caso voltou a imperar e até hoje não se sabe se aquele corpo em que os antropólogos forenses recolheram uma ceroula de lã italiana, roupa não usual na região do Araguaia, é mesmo de Joca.

Reprodução

Evento acontece no mesmo dia da audiência do caso que julga generais brasileiros por crimes cometidos durante a Operação Condor

Condor brasileiro

Está marcada para às 10h da manhã do mesmo dia, uma audiência do processo Condor brasileiro, que julga o envolvimento de João Osvaldo Leivas Job, Calos Alberto Ponzi e Átila Rohrsetzer, ex-agentes da ditadura brasileira, no assassinato do ítalo-argentino Lorenzo Vinãs Gigli. Militante do grupo Montoneros - que fazia oposição à ditadura argentina - foi sequestrado em Uruguaiana na fronteira do Brasil e a Argentina em 26 de junho de 1980 e, em seguida, desapareceu.

Opera Mundi é o único veículo de comunicação brasileiro a acompanhar o processo. O caso é um desdobramento do grande processo Condor que em janeiro deste ano condenou oito ex-presidentes e militares sul-americanos (e absolveu 19) à prisão perpétua por assassinatos de cidadãos de origem italiana cometidos entre 1973 e 1980.

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