'Mulher, negra e favelada, Marielle Franco foi vítima da violência que denunciava', diz jornal francês Libération

Repercussão do assassinato da vereadora do PSOL prossegue forte na imprensa estrangeira; segundo L'Express, protestos mostram também forte revolta contra a violência policial e o governo Temer

Daniella Franco | RFI

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A imprensa europeia continua repercutindo nesta sexta-feira (16) o assassinato da vereadora do PSOL, Marielle Franco, e do motorista Anderson Pedro Gomes, no Rio de Janeiro.

"Rio de Janeiro: uma vereadora de esquerda assassinada" é a manchete de uma matéria publicada pelo jornal Libération. "Mulher, negra e favelada. Vítima da violência que denunciava", escreve a correspondente do diário no Brasil, Chantal Rayes. 

Vereadora do Rio, incansável ativista dos direitos humanos, Marielle Franco, de 38 anos, foi morta com cinco tiros na cabeça, em pleno centro da Cidade Maravilhosa", diz Libération. Para o jornal, a militante encarnava a esperança de renovação da esquerda, em um momento no qual a corrupção reina no Brasil.

A grande questão é quem matou Marielle, reitera Libération, salientando que os investigadores privilegiam a tese de execução. Todas as circunstâncias levam a crer que o crime teve motivação política, ainda que a vereadora não tenha sido alvo de ameaças, publica o jornal. 

Reprodução

Liberátion: Marielle foi vítima da violência que denunciava

Brasileiros indignados

O site da revista francesa L'Express fala da mobilização em várias cidades na quinta-feira (15/03) em memória de Marielle. "Milhares de brasileiros indignados dão adeus à vereadora negra assassinada", é o título de uma matéria online da semanal. L'Express lembra que Marielle encarnava a luta contra o racismo e a violência policial e que foi morta quando voltava de um debate sobre mulheres negras. 

L'Express escreve que os protestos contra a morte da vereadora mostram também uma forte revolta contra a violência policial e o governo de Michel Temer. O assassinato indignou personalidades, como o cantor Chico Buarque, que participou da manifestação no Rio, e chegou até a ONU. A representação das Nações Unidas no Brasil pediu em comunicado uma investigação rigorosa, classificando Marielle como "uma das principais vozes em defesa dos direitos humanos no país", destaca L'Express.

O jornal britânico The Guardian também ressalta em seu site os protestos em várias cidades brasileiras. No Rio de Janeiro, onde está baseado o correspondente do diário, Dom Phillips, a manifestação uniu militantes de esquerda, do movimento negro, feministas e moradores das regiões mais pobres da capital fluminense. 

The Guardian escreve que Marielle "mulher negra e lésbica, que desafiou a bizarra política carioca ao ser a quinta candidata mais votada nas últimas eleições, era uma especialista em violência policial, e havia recentemente denunciado as agressões dos militares aos moradores das favelas. Integrante de um partido de esquerda, Marielle Franco também era conhecida por seu trabalho social. Esse era seu primeiro mandato", publica.

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