Governo conservador da Áustria fecha sete mesquitas e expulsa imãs muçulmanos

Imãs são membros da Associação Turco-Islâmica (ATIB) e são acusados pelo governo de receber financiamento ilícito do exterior; Turquia diz que decisão é 'anti-islâmica e racista'

Redação (*)

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O governo da Áustria anunciou nesta sexta-feira (08/06) o fechamento de sete mesquitas e a expulsão de imãs muçulmanos. O ministro do Interior austríaco, Herbert Kickl, e o chanceler conservador Sebastian Kurz afirmaram que os líderes religiosos são acusados de receberem financiamento ilícito do exterior.

Os imãs são membros da Associação Turco-Islâmica (ATIB), que promove a colaboração cultural e social na Áustria e gere dezenas de mesquitas. A entidade conta com pelo menos cem mil membros, é muito próxima do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP) do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

Serão fechadas quatro mesquitas em Viena, duas no Estado da Alta Áustria e uma no da Caríntia. A ordem vem de um decreto do Departamento de Religiões do governo e não aceita recursos.

"Na Áustria, não há espaço para sociedades paralelas e radicalizações", disse Kurz. Ele também anunciou que o governo dissolveu um grupo chamado Comunidade Religiosa Árabe, que administra seis mesquitas.

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Dragan Tatic/Bundesministerium für Europa, Integration und Äußeres

Governo de Sebastian Kurz determinou a expulsão de imãs e o fechamento de mesquistas na Áustria

As ações do governo foram baseadas numa lei de 2015 que, entre outras coisas, proíbe que comunidades religiosas obtenham financiamento do exterior.

Kickl, por sua vez, informou que os vistos de residência de dezenas de imãs empregados pela ATIB serão revisados. Segundo ele, até 60 imãs ligados à Turquia poderão ser expulsos com suas famílias, totalizando 150 pessoas.

A Turquia, por sua vez, criticou a Áustria e a chamou de "anti-islâmica e racista". "[A expulsão dos imãs] é fruto de uma onda anti-islâmica, racista, discriminatória e populista", afirmou o porta-voz de Erdogan, Ibrahim Kalin. De acordo com ele, o governo de Viena quer "obter vantagens políticas atingindo as comunidades muçulmanas".

"As escolhas ideológicas do governo austríaco violam os princípios da legalidade internacional, as políticas de integração social, os direitos das minorias e a ética da coexistência", acrescentou. 

(*) Com Ansa

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