'Cooperação internacional não pode depender de ataques de raiva' de Trump, afirma governo francês

Presidente norte-americano voltou a fazer ameaças a países aliados horas depois de se comprometer em retirar tarifas alfandegárias e suprimir subsídios

Redação

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Em um comunicado emitido pelo Palácio do Eliseu neste domingo (10/06), o governo da França afirmou que “a cooperação internacional não pode depender de ataques de raiva e palavras mesquinhas” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O mandatário norte-americano se retirou no último sábado (09/06) do acordo final que ele mesmo havia aprovado horas antes de deixar a Cúpula do G7, que ocorreu no Canadá, com a participação dos líderes de sete países (Estados Unidos, Canadá, Japão, França, Alemanha, Reino Unido e Itália).

“Nós passamos dois dias negociando para obter um texto e compromissos. Vamos permanecer ligados a ele, e qualquer um que der as costas mostra sua incoerência e inconsistência. A França e a Europa continuam a apoiar este comunicado, como esperamos de todos os membros signatários”, afirma o comunicado do Palácio do Eliseu.

Gage Skidmore/CC

Presidente norte-americano voltou a fazer ameaças a países aliados horas depois de se comprometer em retirar tarifas alfandegárias e suprimir subsídios

O grupo discutiu políticas que levassem ao fim do protecionismo comercial adotado pelos EUA e se comprometeu a “modernizar” a Organização Mundial do Comércio (OMC). Durante a cúpula, Trump adotou um tom conciliador e afirmou que pretendia “eliminar tarifas alfandegárias, eliminar barreiras não-tarifárias e suprimir subsídios”.

No entanto, após se retirar do encontro, Trump retomou as ameaças de guerra comercial, lançou uma série de novas advertências aos países aliados, e chamou Justin Trudeau, o líder canadense responsável por presidir a cúpula, de “desonesto e fraco”.

“Baseado nas falsas declarações de Justin em sua coletiva de imprensa e no fato de que o Canadá cobra tarifas enormes de nossos fazendeiros, trabalhadores e companhias, ordenei nossos representantes a não apoiarem o comunicado”, afirmou o norte-americano por meio de seu Twitter.

O mandatário também reiterou a ameaça de impor tarifas “aos carros que inundam o mercado americano”, em uma referência à Alemanha, que possui um enorme mercado de exportação de veículos.

“Não seremos maltratados”

Durante uma entrevista coletiva, Trudeau afirmou que embora os canadenses sejam gentis e razoáveis, não serão maltratados. “Disse diretamente ao presidente americano que os canadenses não deixarão facilmente que os Estados Unidos sigam adiante com tarifas significativas contra nossa indústria de aço e alumínio e não deixarão que isso aconteça por supostas razões que envolvam segurança nacional”, afirmou.

Após abandonar o pacto de Paris sobre mudanças climáticas e o acordo nuclear iraniano, este é o terceiro acordo ao qual Trump se retira, causando tensão entre os países aliados. 

Veja vídeo em que Breno Altman, fundador de Opera Mundi, comenta o primeiro ano de Donald Trump à frente do governo norte-americano:

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