Macedônia e Grécia fecham acordo sobre disputa de nome

Coincidência entre nome de país vizinho e região histórica incomodava gregos, que bloqueavam esforços macedônios de adesão à UE e Otan; Estado balcânico passará a se chamar República da Macedônia do Norte

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A Grécia e a Macedônia anunciaram nesta terça-feira (12/06) um acordo histórico, segundo o qual o país balcânico deverá passar a se chamar oficialmente "República da Macedônia do Norte". Assim fica resolvida uma disputa de décadas, que tem dificultado as relações bilaterais e gerou o desajeitado nome formal "Antiga República Iugoslava da Macedônia" (ARIM).

A disputa nominal data de 1991, quando a República da Macedônia se separou da antiga Iugoslávia. A Grécia, cuja região norte também se chama Macedônia e tem fronteira com a nação balcânica, objetou, exigindo que o nome fosse mudado, esbarrando na resistência do governo e população vizinhos.

A Macedônia da Antiguidade Clássica foi o berço do império de Alexandre, o Grande, constituindo orgulho nacional para os gregos. Sob domínio romano, contudo, a província foi expandida para incluir territórios nas atuais Grécia, Macedônia, Bulgária e Albânia.

picture-alliance/abaca/R. De Luca//AP Photo/B. Grdanoski

Premiês grego, Alexis Tsipras (esq.), e macedônio, Zoran Zaev, anunciaram a decisão histórica

A desavença vinha frustrando as esperanças dos macedônios de integrarem a União Europeia ou a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Após sinais iniciais de uma abertura nas negociações, no princípio de 2018, ambos os países se apressaram para fechar um acordo em nível ministerial ainda antes da próxima cúpula da UE, no fim de junho, e da Otan, em meados de julho.

O pacto foi anunciado pelos primeiros-ministros grego, Alexis Tsipras, e macedônio, Zoran Zaev. Ele delibera que a Macedônia acrescentará uma emenda à sua Constituição para refletir o novo nome oficial. Por sua vez, Atenas suspenderá o bloqueio aos requerimentos do país vizinho para integrar a UE e a aliança militar da Otan.

No entanto, possivelmente será tarde demais para a decisão ter qualquer efeito nos próximos encontros das coligações internacionais. O atual acordo ainda precisa ser submetido a referendo na Macedônia e aprovado pelos parlamentos nacionais, o que pode exigir meses, sem resultado garantido.

AV/ap/afp/rtr/dpa

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