Ex-presidente da Coreia do Sul é condenada de novo e terá que cumprir mais 8 anos de prisão

Park Geun-hye é acusada de ter recebido ilicitamente cerca de US$ 3 milhões entre 2013 e 2016, mesmo que não tenha sido provado que ela fez favores em troca do dinheiro; ex-mandatária já cumpre pena de 24 anos

Redação

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A ex-presidente sul-coreana Park Geun-hye foi condenada nesta sexta-feira (20/07) a mais oito anos de prisão por financiamento ilícito e interferência em eleições, no caso que a levou a ser destituída. A pena se soma aos outros 24 anos pelos quais ela já havia sido punida, por conta do caso da “Rasputina”.

Park é acusada de ter recebido ilicitamente cerca de US$ 3 milhões entre 2013 e 2016, mesmo que não tenha sido provado que ela fez favores em troca do dinheiro. Além disso, ela foi punida por ter, de acordo com a acusação, favorecido candidatos de seu partido nas eleições de 2016. A promotoria havia pedido 15 anos de prisão.

A ex-mandatária foi derrubada no ano passado, em um processo de impeachment sob acusação de corrupção, abuso de poder, extorsão, difusão de documentos confidenciais e outros 14 crimes.

Rasputina

O Tribunal Constitucional destituiu Park no dia 10 de março de 2017, após ratificar uma resolução adotada pela Assembleia Nacional (Parlamento) em dezembro de 2016. Vinte dias depois, ela foi presa por ordem de um tribunal de Seul e, desde então, aguarda o fim do julgamento na cadeira. A cassação de Park Geun-hye fez com que fossem antecipadas as eleições para maio, vencidas por Moon-Jae-in.

Ex-presidente Park Geun-hye foi condenada a mais 8 anos de prisão (Republic of Korea)

A Promotoria diz que Park e sua amiga Choi Soon-sil, a "Rasputina", extorquiram mais de US$ 50 milhões de diversas empresas, entre elas a Samsung, em troca de favorecimentos com o governo sul-coreano.

Choi, mesmo não exercendo nenhum cargo público, opinava em decisões que variavam da cor das roupas que a mandatária usava até discursos e grandes decisões políticas, tendo, segundo denúncias, até acesso a informações confidenciais. Além disso, Choi é acusada de arrecadar cerca de US$ 70 milhões (aproximadamente R$ 222 milhões) em doações da Federação de Indústrias Coreanas para duas fundações e desviado parte desse dinheiro.

O vice-presidente da Samsung, Lee Jae-yong, admitiu que a empresa pagou o cavalo da amazona profissional Choi Yoo-ra, filha de Choi Soon-sil, avaliado em 1 milhão de wons (cerca de US$ 855 mil), uma quarta parte dos fundos supostamente fornecidos pela Samsung para financiar a carreira esportiva da jovem.

Park veio a público em outubro de 2016 e admitiu ter recebido aconselhamento de Choi Soon-sil. A mandatária se desculpou durante uma entrevista coletiva de imprensa, afirmando ter agido sempre “com um coração puro”. No entanto, de acordo com Park, Choi a teria aconselhado, editando seus discursos, apenas em 2012 (durante a campanha presidencial) e 2013.

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