Pilotos da Ryanair anunciam greve em vários países europeus

Paralisações ocorrem na Alemanha, Holanda, Irlanda, Suécia e Bélgica e devem atingir um em cada seis voos da companhia aérea de baixo custo; pilotos pedem melhores salários e fim da prática de mudança aleatória de base

Redação

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Pilotos da Ryanair na Alemanha e na Holanda aprovaram nesta quarta-feira (08/08) a paralisação de seu trabalho nesta sexta-feira. Eles se unem ao grupo de funcionários da companhia aérea de baixo custo que entrará em greve no mesmo dia na Irlanda, na Suécia e na Bélgica.

Segundo o sindicato Vereinigung Cockpit (VC), a paralisação na Alemanha começará às 3h01 (horário local) e durará 24 horas.

"Esperamos que com a greve a Ryanair diga que está pronta a assumir um compromisso e entrar em negociações sérias", afirmou o presidente do VC, Martin Locher. "Sentimos muito pelos passageiros afetados. A responsabilidade recaiu sobre a administração da Ryanair", acrescentou.

Em julho, a empresa enfrentou série de greves na Bélgica, Irlanda, Itália, Portugal e Espanha (picture-alliance/dpa/M. Mainka)

As greves na Alemanha e na Holanda aumentam a pressão sobre a companhia, que já esperava a paralisação na Irlanda, Suécia e Bélgica. A empresa irlandesa deve cancelar um em cada seis dos voos programados para a sexta-feira.

Inicialmente, a segunda maior companhia aérea da Europa havia anunciando 146 cancelamentos resultantes das greves na Irlanda, na Suécia e na Bélgica. Com a paralisação na Alemanha, outros 250 voos foram cancelados.

Até agora, no total, cerca de 400 voos dos 2.400 planejados na Europa foram cancelados. O número pode aumentar devido à greve na Holanda. A Ryanair, no entanto, tenta impedir a paralisação dos pilotos holandeses na Justiça.

Cerca de 55 mil passageiros deverão ser afetados. A Ryanair afirmou que entrará em contato com eles por e-mail ou mensagem de texto para informar sobre rotas alternativas e ressarcimento da passagem.

Melhores salários

Os pilotos pedem mudanças em diversos componentes do cálculo salarial, que atualmente possuiu uma série ampla de variáveis, além do fim da prática de alteração aleatória da base de cada funcionário.

A Ryanair, que reconheceu sindicatos pela primeira vez em seus 30 anos de história somente em 2017, enfrenta uma onda de protestos de funcionários insatisfeitos com avanço lento nas negociações de acordos de trabalho coletivos.

A empresa opera mais de 2 mil voos diários em 223 aeroportos em 31 países da Europa e do norte da África. Fundada há 33 anos em Dublin, a Ryanair oferece passagens mais baratas do que suas concorrentes. Seu modelo de baixo custo a torna a companhia aérea mais rentável da região, e seus executivos não estão dispostos a alterar esse padrão de negócio.

Seus funcionários, porém, afirmam que os salários pagos pela Ryanair são os mais baixos das categorias. A empresa opera ainda com muitos free-lancers autônomos, que possuem condições de trabalho piores do que os contratados.

Em julho, a empresa já enfrentou uma série de greves, que levaram ao cancelamento de 600 voos na Bélgica, na Irlanda, na Itália, em Portugal e na Espanha e afetaram 100 mil passageiros. Em reação, a Ryanair ameaçou transferir para a Polônia parte de sua frota, o que poderia causar 300 demissões.

CN/rtr/afp

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