Centrais sindicais argentinas dizem temer ‘estouro social’ por conta da situação econômica do país

Líderes da CGT se reuniram com representantes do FMI e falaram do impacto das medidas do governo Macri no âmbito social

Lucas Berti

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Membros da Confederação Geral do Trabalho (CGT) da Argentina disseram  a representantes do Fundo Monetário Internacional (FMI), com os quais se reuniram nesta terça-feira (23/08), que há "uma preocupação real de uma situação de estouro social” por conta das diretrizes econômicas do governo de Mauricio Macri.

O objetivo da reunião era discutir as metas econômicas do país, e acontece em contrapartida ao empréstimo de US$ 50 bilhões feito pelo Fundo em junho. Por cerca de uma hora e meia, lideranças sindicais e um comitê de economistas do Fundo conversaram sobre o reflexo de novas altas tarifárias e do descontrole da inflação entre os cidadãos argentinos. 

Somente desde o começo do mês, a tarifa de luz foi reajustada em 24,4%, enquanto passagens de ônibus subiram cerca de 6%. 

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Visita do FMI a Buenos Aires se encerra nesta quarta-feira (22/08) (Reprodução/Twitter FMI)

Roberto Cardarelli, chefe da missão do FMI em Buenos Aires, afirmou que o órgão busca “melhorar a situação econômica da Argentina” e disse confiar no governo na diminuição do déficit fiscal. Quando questionado sobre a inflação, que atingiu 31,2% no período, o economista disse crer na baixa inflacionária em 2019. 

Semestre de crise

Após a taxa de juros subir a quase 40% e o câmbio enfrentar uma das piores baixas frente ao dólar no século, Macri recorreu ao FMI para tentar segurar a economia do país. 

Em troca do montante de US$ 50 bilhões, que corresponde a quase 10% do PIB, foram traçadas metas de redução do déficit fiscal. O semestre de turbulência no campo econômico rendeu uma baixa na popularidade do mandatário argentino. Segundo o instituto Management & FIT, até o final de julho, o político tinha apenas 30% de aprovação entre os argentinos.

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