Em meio a greve geral contra acordo com FMI, presidente do BC da Argentina pede demissão

Alegando problemas pessoais, Luis Caputo é o segundo chefe do BCRA a renunciar em quatro meses; vice-ministro foi anunciado como substituto

Redação

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O presidente do Banco Central da Argentina (BCRA), Luis Caputo, pediu demissão do cargo nesta terça-feira (25/09), alegando “motivos pessoais”. O economista deixa a função após três meses de trabalho, no dia em que centrais sindicais promovem a quarta greve geral no país contra às políticas econômicas do presidente Mauricio Macri. 

Quarta autoridade do BCRA a renunciar em quatro meses, Caputo se despediu do cargo defendendo a extensão do acordo de US$ 50 bilhões entre o governo argentino e Fundo Monetário Internacional (FMI), dizendo que sai “com a convicção” de que as novas negociações “restabelecerão a confiança acerca da situação fiscal, financeira, monetária e cambial”.  Com o anúncio, o peso se desvalorizou em mais de 4%.

A curta passagem do economista à frente do BCRA foi marcada por novos capítulos de instabilidade econômica, em especial da queda acelerada do peso em relação ao dólar. No final de agosto, um dólar chegou a custar 40 unidades da moeda argentina, uma desvalorização de quase 100% no acumulado do último ano. 

Em resposta, sob comando de Caputo, o órgão resolveu elevar a taxa de juros básicos de 40% para 60%, em uma tentativa de frear a queda do câmbio e reduzir o impacto do derretimento na inflação doméstica. 

Outra estratégia adotada sob a gestão da ex-chefe do BCRA foi a queima de US$ 330 milhões em reservas, com o objetivo de conter a baixa nos índices econômicos. A medida, no entanto, não surtiu o efeito desejado e não evitou que o governo voltasse a negociar com o FMI.

O agora ex-presidente do Banco Central exerceu atividades dentro da cúpula governista desde o início do mandato de Macri, em 2015, quando foi nomeado como Secretário de Finanças - área da qual foi ministro em seguida. Chegou em 14 de junho, substituindo Federico Sturzenegger, que, à época, também renunciou diante da pressão do cenário de instabilidade. 

Pouco depois do anúncio da saída, o economista Guido Sandleris, vice-ministro da Economia, foi escolhido como substituto. Sandleris foi secretário de política econômica do Ministério da Fazenda até então. 

Renúncia em meio à greve geral 

A saída de Luis Caputo acontece no mesmo dia em que as principais centrais sindicais da Argentina realizam a quarta greve geral contra o presidente Mauricio Macri. O mandatário e alvo das manifestações, no entanto, está  em Nova York, onde discursará na 73ª Assembleia Geral das Nações Unidas. 

A greve foi convocada contra as medidas de ajuste econômico impostas pelo governo após o pedido de empréstimo de US$ 50 bilhões do FMI. Desse total, US$ 15 bilhões já foram utilizados para conter a corrida cambial de maio. O resto seria liberado a cada três meses, sempre e quando a Argentina cumprisse as metas acordadas – e que agora estão sendo revistas.

O movimento, que começou nesta segunda (24/09), mas ganhou força nesta terça, suspendeu os serviços de metrô na cidade de Buenos Aires desde as 20h de ontem. Além disso, pararam nesta manhã o transporte público de passageiros, o de mercadorias, o atendimento ao público em órgãos oficiais, bancos e aeroportos.

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