Assembleia Geral da ONU ri quando Trump diz que fez “mais em dois anos do que qualquer outra administração" dos EUA

Presidente se disse espantado com reação do público após fazer elogios ao próprio mandato; discurso também contou com críticas a China e Irã

Redação

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tirou risadas da plateia da 73ª Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (25/09) ao fazer um autoelogio ao seu mandato. 

“Em menos de dois anos, minha administração fez mais do que quase todas as outras na história do nosso país”, disse o republicano durante seu discurso. Em seguida, o presidente foi surpreendido com risos vindos do público. "Eu não esperava essa reação, mas tudo bem", acrescentou.  

Veja o vídeo: 

Como líder do país anfitrião da Assembleia Geral, Trump tinha o privilégio de ser o segundo a falar, logo depois do presidente do Brasil, Michel Temer, nação que sempre abre as sessões por razões históricas.

Mas o presidente norte-americano só deixou a Trump Tower, na 5ª Avenida, às 10h08 (11h08 em Brasília), sete minutos antes da hora marcada para o início do seu discurso, conforme jornalistas que o acompanhavam.

Para não atrasar a sessão, e de acordo com o protocolo da ONU, Moreno, que falaria após Trump, fez o seu discurso depois que Temer terminou o dele.

Oriente Médio

Sobre os conflitos no Oriente Médio, Donald Trump pediu que a comunidade internacional "isole o regime do Irã" e prometeu que aplicará mais sanções ao país, além das que entrarão em vigor em novembro.

"Pedimos para que todos os países isolem o regime iraniano enquanto continuarem as agressões [por parte do Irã]", declarou Trump em seu discurso. Ele argumentou que a saída dos EUA do acordo nuclear firmado com o governo iraniano foi bem recebida no Oriente Médio.

Ele aproveitou o discurso para reafirmar o compromisso dos EUA com um "futuro de paz e estabilidade" no Oriente Médio e considerou que sua decisão de reconhecer Jerusalém como capital de Israel não prejudica o processo de paz entre palestinos e israelenses.

"Neste ano demos um importante passo no Oriente Médio. Em reconhecimento ao princípio de que cada Estado soberano pode determinar sua capital, transferi a embaixada dos EUA de Israel para Jerusalém", disse. 

Nas últimas semanas, Trump ordenou o fechamento do escritório da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) em Washington e eliminou todos os recursos que os EUA concedem à Agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA), o que impactará nos serviços fornecidos a milhões de pessoas.

Em resposta às declarações de Trump, o secretário-geral da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erekat, divulgou um comunicado no qual critica o presidente dos Estados Unidos pelo discurso proferido na ONU e considera que o governo americano "fechou as portas para a paz".

Na opinião de Erekat, Trump "não pode desempenhar um papel no estabelecimento da paz [entre palestinos e israelenses] após afirmar que sua decisão de transferir a embaixada americana de Israel para Jerusalém, em violação à Resolução 478 [do Conselho de Segurança da ONU], foi 'um reconhecimento da realidade'".

Segundo a OLP, os EUA "recompensam e incentivam as violações do direito internacional, a colonização, os crimes de guerra e o apartheid" de Israel.

China

Trump também aproveitou sua fala para exigir que os países façam mudanças urgentes no sistema de comércio global e defender a postura americana em relação à guerra comercial com a China, por considerar que o déficit com o governo chinês "não é aceitável".

"No mês passado, anunciei um revolucionário acordo comercial entre Estados Unidos e México. Ontem, estive com o presidente (sul-coreano) Moon Jae-in para anunciar a assinatura bem-sucedida do novo acordo comercial EUA - Coreia do Sul", disse Trump ao comentar sobre a revisão do trato de 2012.

"E isso é só o início. Muitos países nesta sala concordarão que o sistema de comércio global necessita urgentemente uma mudança", acrescentou.

Trump avisou que não tolerará mais "os abusos" comerciais de outros países nem permitirá que "vitimizem" ou "enganem" os trabalhadores e empresas americanos.

"Os Estados Unidos acabam de anunciar tarifas para outros 200 bilhões de produtos chineses, totalizando US$ 250 bilhões. Tenho um grande respeito e afeto por meu amigo, o presidente [chinês] Xi Jinping. Mas deixei claro que nosso desequilíbrio comercial simplesmente não é aceitável", esclareceu.

Segundo o presidente americano, "as distorções do mercado da China e a forma como elas são enfrentadas não podem ser toleradas, e os EUA sempre atuarão em prol do interesse nacional".

(*) Com Agência Brasil 

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