Presidentes do continente se manifestam após vitória de Bolsonaro; Macri pede que governos trabalhem juntos

Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, pediu a Bolsonaro que retome boas relações com o país; nas redes sociais, eleito disse ter recebido ligação de Trump

Lucas Berti

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Atualizada no dia 29/10/2018, às 14h 

Os presidentes latino-americanos Nicolás Maduro, da Venezuela, Mauricio Macri, da Argentina, Sebastián Piñera, do Chile, Iván Duque, da Colômbia e Lenín Moreno, do Equador, manifestaram-se na noite deste domingo (28/10) após a vitória de Jair Bolsonaro sobre as eleições presidenciais do Brasil. 

Maduro, após a confirmação de vitória do candidato do PSL por meio de um comunicado oficial emitido pelo governo. No texto, o presidente chavista “estende sinceras felicitações” ao povo brasileiro. 

“O presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro Moros, em nome do governo e do povo venezuelano, estende suas sinceras felicitações ao povo da República Federativa do Brasil, com motivo da celebração cívica do segundo turno eleitoral realizada neste domingo 28 de outubro de 2018, na qual resultou eleito o candidato Jair Bolsonaro, como presidente desse país sul-americano”. 

Maduro afirmou o compromisso de manter relações com o Brasil e pediu que o país retome o caminho “das relações diplomáticas” e da “integração regional”: “O governo bolivariano aproveita a ocasião para exortar o novo presidente eleito do Brasil a retomar, com países vizinhos, o caminho das relações diplomáticas de respeito, harmonia, progresso e integração regional, pelo bem-estar de nossos povos”.

Por fim, o presidente da Venezuela reiterou o compromisso de atuar próximo ao Brasil na luta por “um mundo mais justo, multicêntrico e pluripopular”: “O povo e governo venezuelano, no marco da diplomacia bolivariana de paz, ratificam seus compromissos de continuar trabalhando dando a mão a esse povo irmão brasileiro, na luta por um mundo mais justo, multicêntrico e pluripopular, em que prevaleça a livre autodeterminação dos povos a não ingerência em assuntos internos”. 


Montagem/Wikicommons
Líderes manifestaram apoio à vitória de Bolsonaro

Ligação de Trump

Após ser eleito, Bolsonaro disse em uma transmissão ao vivo nas redes sociais que recebeu um telefonema do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 

“Acabei de receber ligações de alguns líderes, entre eles o presidente dos Estados Unidos, que acabou de nos ligar e desejar boa sorte. Obviamente foi um contato bastante amigável. E nós queremos, sim, nos aproximar de vários países do mundo, sem o viés ideológico”. 

Em sua conta pessoal no Twitter, Macri desejou felicitações ao presidente eleito e pediu que os dois governos trabalhem juntos. No último dia 14 de outubro, os dois se falaram por telefone em uma conversa “cordial”, de acordo com um documento divulgado pela Casa Rosada, sede presidencial argentina. “Parabéns a Jair Bolsonaro pelo triunfo no Brasil! Desejo que trabalhemos em breve juntos para o relacionamento entre nossos países e o bem estar de argentinos e brasileiros”, disse Macri. 

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, chamou o processo eleitoral de "limpo e democrático". No último dia 09 de outubro, o político elogiou o rumo econômico proposto por Bolsonaro, mas fez criticas a discursos homofóbicos do candidato. Piñera também convidou Bolsonaro a visitar o país: “Felicito o povo brasileiro por uma eleição limpa e democrática. Felicito Jair Bolsonaro pelo seu grande triunfo eleitoral convido-os a visitar o Chile e tenho a certeza de que trabalharemos com vontade, força e visão para o futuro em prol do bem-estar dos nossos povos e da integração”. 

O mandatário colombiano, Iván Duque, eleito em agosto, também cumprimentou o político do PSL e desejou que a “nova etapa” seja de "bem-estar e união", além de manifestar desejo de continuar a "relação de irmandade" do campo político ao cultural. “Parabéns Jair Bolsonaro, novo presidente do Brasil, democraticamente eleito. Nosso desejo por esta nova etapa do país vizinho é de bem-estar e união. Esperamos continuar nosso relacionamento de irmandade para fortalecer os laços políticos, comerciais e culturais”, disse o presidente da Colômbia. 

O governante do Equador, Lenín Moreno, parabenizou o povo brasileiro por um feito que chamou de “democrático”: “Felicidades para o seu novo presidente Jair Bolsonaro. Esperamos fortalecer os laços tradicionais de amizade e trabalho entre as duas nações”. 

O presidente do Peru, Martín Vizcarra, disse em sua conta pessoal que deseja “sucesso” a Bolsonaro durante o mandato, expressando vontade de trabalhar de forma conjunta com o Brasil: “felicito Jair Bolsonaro por sua eleição como presidente do Brasil e desejo a ele todo sucesso em sua administração. Expresso minha vontade de trabalhar em conjunto para aprofundar nosso relacionamento bilateral fraterno”.

Evo Morales, presidente da Bolívia, foi um dos últimos líderes a comentar a vitória de Bolsonaro. Além de saudar a “participação democrática” dos eleitores brasileiros, Morales falou que os dois países têm laços de integração: “saudamos o povo fraterno do Brasil por sua participação democrática no segundo turno das eleições presidenciais em que Jair Bolsonaro foi eleito, a quem estendemos nosso reconhecimento. Bolívia e Brasil são nações irmãs com laços profundos de integração”. 

Na postagem seguinte, Evo Morales postou uma foto do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, lembrando sua vitória nas eleições presidências de 2006, em que o petista obteve 60% dos votos. Para o presidente boliviano, Lula, que está preso em Curitiba desde o dia 07 de abril, é alvo de uma “caçada judicial”. 

“Como hoje, em 2006, o Brasil reelegeu o irmão Lula como Presidente, com mais de 60% dos votos. Representante da classe trabalhadora, Lula atendeu às demandas de seu povo, tirando milhões de brasileiros da pobreza. Hoje é vítima de uma caçada judicial”. 

Carlos Alvarado, mandatário da Costa Rica, disse que seu país pretende trabalhar com o Brasil “em favor da inclusão” e não citou o nome de Bolsonaro: “depois de um dia democrático, o Brasil elegeu seu novo governo. A Costa Rica ratifica sua disposição de trabalhar com o Brasil em favor da inclusão, do crescimento econômico e do respeito aos direitos de todas as pessoas, bem como para alcançar o desenvolvimento sustentável da região”. 

O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, foi um dos poucos a não se pronunciar pelas redes sociais, juntamente ao seu homólogo da Guatemala, Jimmy Morales. Durante uma reunião com ministros nesta segunda-feira (29/10), o governista reconheceu a vitória do eleito: "quero expressar em nome do governo e do meu reconhecimento e saudações ao presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro", disse, segundo reportagem do El Pais Uruguay. 

O presidente da Guatemala Jimmy Morales emitiu um comunicado por meio de sua chancelaria, cumprimentando o político do PSL e os outros presidenciáveis: “o Governo da Guatemala, respeitoso da democracia e do Estado de Direito, saúda os partidos políticos que participaram desta contenda eleitoral e cumprimenta o senhor Jair Bolsonaro pela vitória no segundo turno das eleições para Presidente da República Federativa do Brasil”. 

Também pelo Twitter, o líder do governo do México, Enrique Peña Nieto, que em dezembro dará lugar ao presidente eleito Andrés Manuel López Obrador, disse que o dia eleitoral “reflete a força democrática” do Brasil. 

“Em nome do povo e do Governo do México, parabenizo Jair Bolsonaro por sua eleição como Presidente da República Federativa do Brasil, em um dia exemplar que reflete a força democrática daquele país”. 

Pronunciamento da OEA

Além dos presidentes de países sul-americanos, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, Luis Almagro, comentou o resultado das eleições brasileiras, dizendo que o órgão internacional segue compromissado a trabalhar conjuntamente “pela democracia, direitos humanos , segurança e desenvolvimento”. 

“Parabenizamos o povo brasileiro pela jornada eleitoral de hoje. Saudamos o Presidente eleito Jair Bolsonaro e aplaudimos sua mensagem de verdade e paz. Conte com o compromisso da SG/OEA de trabalhar de forma conjunta pela democracia, DDHH [Direitos Humanos], segurança e desenvolvimento da região”.

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