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Colômbia nega ter sugerido aliança militar a Bolsonaro para tentar derrubar Maduro

Folha citou alto funcionário da diplomacia colombiana, sob condição de anonimato, que teria afirmado que, se Bolsonaro quisesse ajudar a derrubar Maduro com uma intervenção militar, teria apoio da Colômbia

Redação

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O governo da Colômbia negou, na noite desta segunda-feira (29/10), que o país tenha sugerido ao presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) uma aliança militar para derrubar o governo do venezuelano Nicolás Maduro. A informação da existência da proposta foi divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo.

"O Ministério das Relações Exteriores, em nome do governo da Colômbia, tem permissão para descartar e desmentir as versões que foram publicadas pelo jornal Folha de São Paulo […] sobre uma suposta e inexistente sugestão da Colômbia ao presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, para derrubar mediante intervenção militar o governo de Nicolás Maduro", disse o chanceler colombiano, Carlos Trujillo, em comunicado sobre a matéria do jornal brasileiro desta segunda.

Segundo Trujillo, a administração do presidente colombiano, Iván Duque, "mantém uma tradição não belicista e busca, através de ações políticas e diplomáticas regionais e multilaterais, contribuir a criar condições para que […] o povo irmão da Venezuela possa viver novamente em democracia e liberdade".

A Folha citou um alto funcionário da diplomacia colombiana, sob condição de anonimato, que teria afirmado que "se [o presidente eleito Jair] Bolsonaro ajudar a derrubar [Nicolás] Maduro com uma intervenção militar, terá o apoio da Colômbia". Segundo a mesma fonte, disse a reportagem, "se for [o presidente dos EUA, Donald] Trump, ou Bolsonaro, o primeiro a colocar os pés na Venezuela para derrubar Maduro, a Colômbia irá atrás sem vacilar".

Em entrevista posterior ao mesmo jornal, o general Augusto Heleno, cotado para ser ministro da Defesa do governo Bolsonaro, descartou uma ação militar contra Caracas e afirmou que um ato desses contrariaria os princípios brasileiros de relações exteriores.

“Isso contraria os princípios das nossas relações exteriores. Nós temos como preceito fundamental a não ingerência – acho que está escrito inclusive na Constituição – a não ingerência em assuntos internos de outros países. Isso também é especulação”, disse. “Não é questão de concordar ou não concordar. Está escrito que nós não teremos ingerência em assuntos internos de outros países. Não tem que concordar, o país é democrático, está escrito na Constituição. Isso aí é um dos pontos que o Brasil assume o compromisso mundialmente de não ter ingerência em assuntos internos de outros países.”

Até o fechamento desta reportagem, o governo venezuelano não havia se pronunciado de maneira oficial sobre o assunto.

O governo colombiano lidera uma séria de ações internacionais com o fim de realizar mudanças no governo do país vizinho, já que a administração do Duque qualifica de "ditadura" a administração venezuelana. Bogotá responsabiliza Caracas inclusive pela imigração de venezuelanos que, na Colômbia, totaliza cerca de 1,3 milhão de pessoas.

(*) Com Sputnik

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