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China critica Bolsonaro por alinhamento com Trump e fala em risco para economia brasileira

Segundo Pequim, Bolsonaro é um "Trump Tropical"; texto questiona papel de presidente eleito “da maior economia da América Latina” em possível afastamento entre mercado brasileiro e economia da China

Redação

A China criticou nesta segunda-feira (29/10) o presidente eleito do Brasil Jair Bolsonaro, do PSL, pelo alinhamento do político com seu homólogo norte-americano, Donald Trump. Pequim também fez críticas a um possível rompimento de acordos entre a economia brasileira e a potência asiática. 

Por meio de um editorial publicado no jornal estatal China Daily, que veicula informações oficiais do governo, o país mostrou o incômodo gerado pela posição defendida por Bolsonaro de se distanciar da economia chinesa. 

O texto, divulgado pelo portal na versão em inglês, fala que Bolsonaro não deve copiar as políticas do republicano apesar de “ser vocal e ultrajante” como o mandatário dos Estados Unidos. No título do artigo, o candidato eleito é chamado de “Trump Tropical”.

“Ainda que Bolsonaro tenha imitado o presidente dos EUA ao ser vocal e ultrajante para captar a imaginação dos eleitores, não existe razão para que ele copie as políticas de Trump", diz o editorial. 

Ao avaliar o impacto do novo governo que se iniciará em janeiro de 2019, o China Daily questiona: “até que ponto o próximo líder da maior economia da América Latina vai afetar a relação Brasil-China?". Segundo o jornal, Bolsonaro não só “endossa a agenda nacionalista de Trump” como evita a multilateralidade internacional. 

“É uma questão pertinente. Afinal, Bolsonaro é retratado por alguns como um ‘Trump Tropical’, um direitista que não apenas endossa a agenda nacionalista do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas pode realmente copiar uma página do livro de estratégias do último. Ele prometeu evitar instituições internacionais multilaterais em favor de acordos bilaterais e prometeu transferir a embaixada brasileira em Israel para Jerusalém”. 

A publicação também fala da posição de Bolsonaro durante a campanha presidencial, quando o então candidato à presidência se referiu à China como um “predador” diante do mercado brasileiro. 

“Além disso, Bolsonaro soou menos que amigável para a China na campanha. Ele retratou a China como um predador que busca dominar setores-chave da economia brasileira”. 

A matéria também questiona se Bolsonaro “vai dar um golpe substancial”, assim “como o presidente dos Estados Unidos”, na relação entre os dois países. “Portanto, não é de surpreender que as pessoas estejam se perguntando se Bolsonaro, como o presidente dos Estados Unidos, vai dar um golpe substancial no relacionamento China-Brasil, de outra forma próspero e mutuamente benéfico”. 

Após as críticas, o editorial fala que não espera que o presidente eleito “coma as palavras mais extremas” que usou enquanto ainda disputava o cargo presidencial, mas fala em ter “esperanças” de que o futuro mandatário brasileiro tenho um olhar “objetivo e racional” para a relação entre as duas nações. 

“Nós não somos verdadeiros crentes da suposição popular de que as promessas feitas na campanha são apenas para a campanha. Ou que Bolsonaro o presidente naturalmente coma as palavras mais extremas de Bolsonaro o candidato. Ainda assim, nutrimos a sincera esperança de que, quando ele assumir a liderança da oitava maior economia do mundo, Bolsonaro tenha um olhar objetivo e racional sobre o estado das relações China-Brasil”. 

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