Eleições legislativas definem nesta terça novo panorama político do Congresso dos EUA

Pesquisas de intenção de voto mostram que tendência é de que democratas saiam vitoriosos na Câmara; no Senado, projeção é de vitória republicana

Leandra Felipe

Agência Brasil Agência BrasilTodos os posts do autor

Dois anos após a vitória de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos, os norte-americanos voltam às urnas nesta terça-feira (06/11) para escolher deputados, senadores, governadores e representantes estaduais e regionais. As chamadas “midterm”, ou eleições de meio-mandato, podem mudar o cenário de apoio político no país por definir o controle majoritário na Casa de Representantes (Câmara dos Deputados) e no Senado.

Os eleitores norte-americanos vão escolher dois terços do Senado (35 senadores) e todos os 435 deputados. Além disso, serão eleitos governadores de 36 estados e três territórios, bem como deputados estaduais e representantes distritais (municipais).

As últimas pesquisas de intenção de voto mostram que a tendência é de que os democratas saiam vitoriosos na Câmara, conquistando a maioria das cadeiras. No Senado, apenas dois terços dos lugares serão renovados, mas a projeção é de uma vitória republicana.

O cenário nas eleições estaduais também é amplamente disputado. Os republicanos controlam 33 dos 50 Estados. Há eleições em 26 Estados republicanos, que o partido pretende manter após a votação de hoje.

Caso confirmem as intenções de voto para a Câmara, os democratas podem passar a ser maioria e controlar a casa, podendo bloquear a agenda legislativa de Trump. Analistas entrevistados pela imprensa norte-americana dizem que as eleições de meio de mandato costumam condicionar a forma de agir do presidente, exigindo maior capacidade de diálogo e de articulação política no caso de uma vitória do partido de oposição.

Engajamento

Trump participou de vários comícios nas últimas semanas, visitando Estados e convidando eleitores republicanos a votar. Nos Estados Unidos, o voto não é obrigatório.

Na reta final, o presidente intensificou a retórica contra imigrantes, na mesma linha da campanha presidencial. Ele enviou 5.200 militares para a fronteira com o México, com a promessa de triplicar esse número para impedir a entrada de uma caravana de cerca de 5.000 pessoas que deixaram a Guatemala e Nicarágua em uma travessia do território mexicano até a fronteira com os Estados Unidos, em busca de melhores condições de vida.

Trump também prometeu assinar um decreto para acabar com a cidadania de crianças nascidas em território norte-americano, filhas de imigrantes. A intenção de assinar o decreto, anunciada por ele na semana passada, foi amplamente criticada por ser considerada inconstitucional.

No lado oposto, o ex-presidente democrata Barack Obama também se engajou fortemente na campanha nos últimos três meses. Obama tem participado de comícios para tentar aumentar o número de eleitores no partido.

A preocupação dos líderes democratas é de que uma alta abstenção dos eleitores que votariam no partido determine uma vitória republicana nos Estados e distritos, o que afetaria negativamente o partido para o cenário das eleições presidenciais de 2020.

Obama tem feito críticas diretas à administração Trump e acusa o presidente de disseminar “uma cultura do medo” no país.

Thomas Hawk/Flickr
Eleitores norte-americanos vão escolher dois terços do Senado (35 senadores) e todos os 435 deputados

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