Criticado por elogiar Pétain, Macron recua de homenagem a marechal que colaborou com nazismo

Decisão vem após presidente ser duramente criticado por defender homenagem a Philippe Pétain, afirmando que o marechal 'foi um grande soldado na Primeira Guerra Mundial'

Redação

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Cinco dias antes das comemorações do centenário do fim da Primeira Guerra Mundial, o governo de Emmanuel Macron recuou da realização de uma homenagem ao marechal Philippe Pétain, militar de destaque no combate de 1914 a 1918, mas considerado traidor do país por ter colaborado com os nazistas durante a Segunda Guerra  (1939-1945).

A decisão vem após o presidente ter sido duramente criticado por elogiar o marechal e defender uma homenagem a ele, afirmando que o militar havia sido "um grande soldado na Primeira Guerra Mundial" e que esta seria a "realidade do nosso país".

"Não estou tomando nenhuma parte pequena, mas não estou ocultando nenhuma parte da história. Alguém pode ser um grande soldado durante a Primeira Guerra e depois fazer escolhas fatais na Segunda", disse o presidente francês. Macron ainda afirmou que é isso que faz "a vida política, assim como a natureza humana, geralmente mais complexa do que nós gostaríamos de acreditar".

O recuo foi anunciado nesta quarta-feira (07/11) pela imprensa oficial do Eliseu. Em nota, o governo afirmou que "nenhuma homenagem seria feita a Pétain" nas comemorações do Centenário da Primeira Guerra Mundial. Já nesta quinta-feira (08/11), Jean-Michel Blanquer, ministro da Educação, afirmou à imprensa francesa que "é evidente que está totalmente fora de questão prestar homenagem ao marechal Pétain".

Críticas

Após declarações, o mandatário foi alvo de críticas como as do líder do partido de esquerda França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, que destacou que os crimes do marechal Pétain "e sua traição não prescrevem". Para ele, Macron "foi longe demais".

O ex-presidente da França François Hollande também criticou Macron, afirmando que a história "julga a imensa e indigna responsabilidade de um marechal que delibaradamente usou seu nome e prestígio para acorbertar traição e a colaboração e deportação de milhares de judeus da França".

O ex-ministro da Economia no governo Hollande, o socialista Benoit Hamon, disse que "o périplo memorial de Emmanuel Macron é na verdade um incrível desvario ético e moral".

O presidente ainda foi criticado pelo Conselho Representativo das Instituições Judaicas da França (CRIF). Francis Kalifat, dirigente da organização, disse que "a única coisa que nós lembraremos é que Pétain foi julgado em julho de 1945 pela Alta Corte de Justiça por ter traído seu próprio país”.

Colaboração com nazistas

Phillipe Pétain, marechal francês que combateu na Primeira Guerra Mundial contra os alemães, foi acusado de traição em 1945 e condenado à pena de morte.

Em 1940, após a ocupação nazista na França, Pétain encabeçou um governo fantoche, o regime de Vichy, que colaborou ativamente com as forças do Eixo e durou at´é 1944.

O novo poder instaurado na França ocupada perseguiu judeus e combatentes da resistência. Até o final da guerra, haviam sido deportados para campos de concentração mais de 80 mil civis franceses. Entre 10 mil e 15 mil pessoas foram mortas.

Após a sentença de morte, o presidente à ´época, o general Charles De Gaulle - um dos líderes da resistência - decidiu comutar a pena para prisão perpétua devido à idade avançada de Pétain, que morreu na prisão em 1951, aos 95 anos.

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Marechal Pétain e Adolf Hitler durante ocupação nazista na França

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