Mais de 4 mil médicos cubanos já deixaram o Brasil

Retorno de profissionais que atuavam no Mais Médicos é coordenado por Havana e será concluído até fim do ano; no Brasil, apenas 3.276 dos inscritos para vagas abertas com saída de cubanos se apresentaram para trabalhar

Redação

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Mais de 4 mil dos 8.332 cubanos que atuavam no programa Mais Médicos já retornaram para Cuba, anunciou nesta quarta-feira (05/12) Havana. Todos os profissionais da ilha caribenha devem deixar o Brasil até o fim do ano.

Até o momento, Cuba já fretou 20 voos, partindo de Brasília, São Paulo, Manaus e Salvador, para repatriar os médicos. "Esse retorno é rápido e ordenado", disse a diretora de Comunicação e Imagem do Ministério do Exterior cubano, Yaira Jiménez.

A representante do governo reiterou que Cuba não causou a situação atual. "Foram criadas circunstâncias lamentáveis que impossibilitaram a continuidade da cooperação cubana no Brasil. A responsabilidade é exclusiva do governo brasileiro que tomará posse em 1º de janeiro", acrescentou.

Jiménez afirmou que a decisão foi muito dolorosa para Havana, mas necessária. "A integridade física e a segurança de seus colaboradores é uma responsabilidade e prioridade de Cuba", lembrou.

A diretora destacou que até o fim do ano todos os médicos que estão no Brasil retornarão ao país e serão reincorporados no sistema de saúde público cubano em condições semelhantes às que tinham antes de aderirem ao programa. Os profissionais poderão também se candidatar para missões em outros países.

Em meados de novembro, Cuba anunciou o fim de sua participação no Mais Médicos por considerar injustas as condições impostas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro, que exigiu novas condições para a parceria, incluindo revalidação do título e contratação individual. Havana criticou ainda as "declarações ameaçadoras e depreciativas" de Bolsonaro, que durante a campanha chegou a afirmar que expulsaria os médicos cubanos do Brasil.

Após o fim da parceria, o Ministério da Saúde lançou um edital para preencher as vagas ocupadas pelos cubanos. Segundo nota divulgada pela pasta na terça-feira, das 8.517 vagas abertas, 8.405 já foram preenchidas. No entanto, dos inscritos apenas 3.276 se apresentaram para trabalhar e outros 200 desistiram. Os médicos têm até o dia 14 de dezembro para assumir os postos.

O ministério afirmou que os médicos que desistiram alegaram impossibilidade de cumprir a carga horária de 40 horas semanais, problemas pessoais ou recebimento de proposta de trabalho ou residência médica.

Das 314 vagas que não foram preenchidas, a maioria delas está em locais considerados de maior vulnerabilidade como distritos sanitários indígenas e cidades com no mínimo 20% da população em situação de extrema pobreza.

Um balanço do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems) indicou ainda a migração de profissionais que já atuavam na rede pública para o programa. Quatro em cada dez inscritos já estariam empregados em unidades de saúde.

O Mais Médicos é uma iniciativa do governo da ex-presidente Dilma Rousseff, que prevê a contratação de profissionais brasileiros e estrangeiros para assistir a população brasileira em áreas remotas, isoladas e pobres.

Cuba começou a enviar profissionais ao Brasil em 2013. Dos 18,3 mil profissionais que trabalham no programam 8,3 mil eram cubanos. Eles ocupavam vagas que não foram preenchidas por brasileiros.

Em cinco anos de programa, nenhum edital de contratação de médicos brasileiros conseguiu contratar quantidade suficiente de profissionais para as vagas abertas. O maior edital resultou na contratação de 3 mil brasileiros.

CN/efe/ots

picture-alliance/dpa/E. Peres
No aeroporto em Brasília, médicos cubanos aguardam embarque para retornar a Cuba


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