Após sugerir intervenção militar na Venezuela, secretário-geral da OEA é expulso da Frente Ampla do Uruguai

À época, o ex-presidente José Mujica criticou Luis Almagro e disse que "a intervenção não é uma solução negociável"

Redação

Atualizada às 15h40

Após sugerir que uma intervenção militar na Venezuela seria uma opção viável, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, foi expulso neste sábado (15/12) da Frente Ampla (FA) do Uruguai por "desrespeitar os princípios" do partido.

Segundo resolução divulgada pela coalizão de esquerda uruguaia que governa o país desde 2005, a expulsão foi decidida pelo Tribunal de Conduta Política da Frente Ampla e teve 168 votos favoráveis.

Em setembro deste ano, Almagro responsabilizou o governo do presidente Nicolás Maduro pela crise que acontece na Venezuela e afirmou que uma ação militar contra o país poderia ser uma saída.

"Sobre a intervenção militar para derrubar o regime de Nicolás Maduro, acredito que não devemos descartar qualquer opção", disse o secretário-geral à época.

Segundo o vice-presidente da Frente Ampla, José Carlos Mahía, "Almagro se expulsou sozinho da FA".

"Uma coisa é ter uma posição política, e outra bem diferente é, em um cargo que deve gerar consensos na Américas, trabalhar ativamente contra um dos países e, ainda mais, com visões absolutamente funcionais às dos Estados Unidos", disse o uruguaio.

À época, Almagro já havia recebido sanções do partido, embora sua expulsão tenha sido decidida neste sábado.

O secretário-geral da OEA figurava entre os quadros da coalizão de esquerda que governa o Uruguai desde 2005 e já atuou como chanceler do governo do ex-presidente José "Pepe" Mujica (2010-2015).

O próprio ex-presidente rechaçou as declarações de Almagro. Na ocasião, Mujica afirmou que "a intervenção não é uma solução negociável, Venezuela necessita de paz interior [...] e deveríamos trabalhar para isso".

O ex-mandatário ainda lamentou "o rumo que hoje o secretário da OEA tomou" e disse que a Venezuela, por ser rica em petróleo, desperta os interesses dos Estados Unidos.

Em 2016, Mujica divulgou uma carta destinada a seu ex-ministro na qual criticou as posições que Almagro tomou na OEA e anunciou o rompimento político com o ex-chanceler.

"Lamento o rumo pelo qual se meteu e sei que é irreversível, por isso agora formalmente, te digo adeus e me despeço", escreveu o ex-presidente.

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Em setembro deste ano, Almagro afirmou que uma ação militar contra a Venezuela poderia ser uma saída.

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