Wikicommons

Secretário de Defesa dos EUA deixa cargo após conflitos com Trump

Em carta, James Mattis deixou claro que decidiu sair por discordar de políticas de presidente, que anunciou um dia antes saída de tropas norte-americanas da Síria

Redação

Deutsche Welle Deutsche Welle

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (20/12) que o secretário de Defesa, James Mattis, deixará o cargo no fim de fevereiro.

"O general Jim Mattis vai se aposentar, com distinção, no final de fevereiro, após ter servido ao meu governo como secretário de Defesa nos últimos dois anos", disse Trump no Twitter.

"Durante o mandato de Jim, fizemos um progresso tremendo, especialmente no que diz respeito à compra de equipamentos de combate. O general Mattis foi de grande ajuda na hora de conseguir que os aliados e outros países paguem sua parte nas obrigações militares. (...) Agradeço a Jim por seu serviço", acrescentou Trump, anunciando que um novo nome para o cargo será indicado em breve.

O anúncio ocorre depois de Trump informar ontem que retiraria as tropas americanas da Síria. Mas, nos últimos meses, a relação entre os dois já não estava boa. O presidente, inclusive, chegou a se referir a Mattis como uma "espécie de democrata".

Segundo o jornal New York Times, Mattis chegou a se dirigir à Casa Branca na quinta-feira para tentar demover Trump da ideia de retirar os 2 mil militares americanos que atuam na Síria. Trump não se deixou convencer, e como resultado Mattis resolveu renunciar ao cargo.

Em sua carta de renúncia, Mattis deixou claro que decidiu sair do governo por discordar das visões do presidente.

"Enquanto os EUA permanecem como nação indispensável no mundo livre, não podemos proteger nossos interesses ou cumprir esse papel de maneira efetiva sem manter alianças fortes e mostrar respeito a esses aliados", escreveu o general reformado.

Mattis também afirmou que os EUA precisam ter uma ação "decidida e não ambígua" na hora de lidar com países com os quais os interesses do governo americano estão em "tensão crescente", como Rússia e China.

Em outro trecho da carta, em um claro sinal de que não concordou com as decisões recentes do ex-chefe, Mattis disse que achou correto deixar o cargo para que o presidente "possa escolher alguém que esteja mais alinhado às suas ideias"

"Como você tem o direito de ter um secretário de Defesa com opiniões mais alinhadas às suas nesse e em outros assuntos, eu creio ser o correto deixar a minha posição", escreveu Mattis.

Trump ainda não comentou o conteúdo da carta do seu secretário.

Comentários