Presidente do PT vai à Venezuela para posse de Maduro e critica golpismo incentivado pelos EUA

PT reconhece "voto popular pelo qual Nicolás Maduro foi eleito, conforme regras constitucionais vigentes, enfrentando candidaturas legítimas da oposição democrática", afirmou a ex-senadora Gleisi Hoffman em nota

Redação

São Paulo (Brasil)

A presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann, confirmou presença na posse do presidente reeleito da Venezuela, Nicolás Maduro, que acontece nesta quinta-feira (10/01) e criticou a posição intervencionista e golpista incentivada pelos Estados Unidos contra o país latino-americano.

Em nota, a ex-senadora, atual deputada federal, justificou sua presença afirmando que é preciso "deixar claro que não concordamos com a política intervencionista e golpista incentivada pelos Estados Unidos, com a adesão do atual governo brasileiro e outros governos reacionários. Bloqueios, sanções e manobras de sabotagem ferem o direito internacional, levando o povo venezuelano a sofrimentos brutais".

Hoffmann também disse que é necessário "que a posição agressiva do governo Bolsonaro contra a Venezuela tem forte oposição no Brasil e contraria nossa tradição diplomática".

A presidente do PT ainda reiterou a posição do partido de defesa da autodeterminação dos povos e da solução pacífica dos conflitos, rechaçando as declarações recentes do Grupo de Lima e afirmando que o Partido dos Trabalhadores reconhece "o voto popular pelo qual Nicolás Maduro foi eleito, conforme regras constitucionais vigentes, enfrentando candidaturas legítimas da oposição democrática".

"Ditaduras são regimes de arbítrio, frutos de golpes contra as instituições, como foi o caso da ditadura militar brasileira, sempre defendida e celebrada pelo senhor Jair Bolsonaro", conclui Hoffmann.

Leia nota na íntegra: 

POR QUE IR A VENEZUELA, NA POSSE DE MADURO?

1. Para mostrar que a posição agressiva do governo Bolsonaro contra a Venezuela tem forte oposição no Brasil e contraria nossa tradição diplomática.

2. Para deixar claro que não concordamos com a política intervencionista e golpista incentivada pelos Estados Unidos, com a adesão do atual governo brasileiro e outros governos reacionários. Bloqueios, sanções e manobras de sabotagem ferem o direito internacional, levando o povo venezuelano a sofrimentos brutais.

3. Porque é inaceitável se se vire as costas ou se tente tirar proveito político quando uma nação enfrenta dificuldades. Trata-se de um país que tem relações diplomáticas e comerciais importantes com o Brasil. Impor castigos ideológicos aos venezuelanos também resultará em graves problemas imigratórios, comerciais e financeiros para os brasileiros.

4. Porque o PT defende, como é próprio da melhor história diplomática de nosso país, o princípio inalienável da autodeterminação dos povos. Nossa Constituição se posiciona pela não-intervenção e a solução pacífica dos conflitos. Os governos liderados por nosso partido sempre foram protagonistas de mediações e negociações para buscar soluções pacíficas e marcadas pelo respeito à autonomia de todas as nações.

5. Porque somos solidários à posição do governo mexicano e de outros Estados latino-americanos que recusaram claramente a posição do chamado Grupo de Lima, abertamente alinhada com a postura belicista da Casa Branca.

6. Porque reconhecemos o voto popular pelo qual Nicolás Maduro foi eleito, conforme regras constitucionais vigentes, enfrentando candidaturas legítimas da oposição democrática. Ditaduras são regimes de arbítrio, frutos de golpes contra as instituições, como foi o caso da ditadura militar brasileira, sempre defendida e celebrada pelo senhor Jair Bolsonaro.

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"Ditaduras são regimes de arbítrio, frutos de golpes contra as instituições", disse Gleisi Hoffmann

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