‘Unidades das forças armadas com o povo irão barrar o golpe’, diz o cônsul da Venezuela

Afirmação foi dada durante ato em solidariedade à Venezuela realizado frente ao consulado do país em São Paulo

Lucas Estanislau

São Paulo (Brasil)

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O cônsul da Venezuela no Brasil, Manuel Vadell, afirmou nesta sexta-feira (08/02) que a unidade das forças armadas com o povo irá barrar o golpe na Venezuela.

“Podem contar com a unidade das forças armadas e do povo revolucionário venezuelano que estão firmes e fortes lá, dia a dia. Com o trabalho diário estamos vencendo e vamos vencer juntos, todos nós, mais essa tentativa de golpe”, afirmou.

Durante ato organizado pela frente Brasil popular que ocorreu em frente ao consulado da Venezuela em São Paulo nesta sexta-feira, o cônsul ainda disse que “Hoje, mais do que nunca, a ameaça do império norte-americano sobre a Venezuela é mais do que certa. Foi a primeira vez em vinte anos que os porta-vozes do governo estadunidense estão dando a cara e assumindo em primeiro plano o golpe de estado, coisa que não tinha acontecido nas outras tentativas".

Além da representação diplomática venezuelana, compareceram à manifestação movimentos sociais como o MST e o levante popular, centrais sindicais como a CUT e a CGT, e partidos políticos como PT, PCdoB, PSOL, PCB e PCO.

Segundo a secretária de relações internacionais do partido dos trabalhadores, Mônica Valente, "A partir da eleição do presidente Nicolás Maduro o povo venezuelano não teve um minuto de sossego”.

A secretária do PT afirmou que o governo de Maduro “Desde 2013 para cá, com os ataques, com o cerco midiático, com a violência das ‘guarimbas’, com agora os bloqueios econômicos, as sanções econômicas e chegando ao extremo da ameaça da intervenção militar”, tem sofrido “um ataque frontal à revolução bolivariana e a construção de um novo país, de um novo mundo e de uma nova América Latina”.

“Não há país na América Latina que tenha feito mais eleições do que a Venezuela, e não há país onde o povo foi chamado para definir o seu destino, tantas vezes como foi na Venezuela”, afirmou Mônica. 

Ao final do ato, um manifesto publicado na quarta-feira (06/02) e assinado pelas mais de 60 entidades políticas representadas no ato em frente ao consulado venezuelano foi entregue pela representante do Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela.

De acordo com o documento, intitulado “Manifesto pela paz na Venezuela”, "as entidades, movimentos e personalidades que compõem o comitê brasileiro pela paz na Venezuela defendem a soberania e a autodeterminação dos povos”.

O manifesto tem como objetivo vir à público para denunciar uma séria de questões que atingem a democracia venezuelana como “a tentativa de Golpe de Estado na Venezuela”, “os interesses internacionais em apossar-se do petróleo”, além de demonstras seu repúdio à “ameaça de ingerência e de intervenção militar contra a Venezuela”,  às “declarações intervencionistas do Governo Brasileiro” e às manifestações intervencionistas dos governos do “Grupo de Lima.

Por fim o documento afirma reconhecer “o governo legítimo de Nicolás Maduro” e defender “todas as iniciativas de Diálogo e de Paz”.

Leia a íntegra do manifesto abaixo:

As entidades, movimentos e personalidades que compõem o Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela defendem a soberania e a autodeterminação dos povos e por isso vêm a público manifestar-se:

1. Denunciamos que está em curso mais uma tentativa de Golpe de Estado na Venezuela. Esta ofensiva internacional vem sendo liderada pelo governo dos EUA e apoiado pelos seus capachos na América Latina e na Europa. Juan Guaidó não foi eleito presidente, se autoproclamou em uma manifestação da oposição, tornando-se a marionete necessária para concretizar o golpe e garantir os interesses imperialistas na Venezuela. Guaidó tem apoio político e econômico de fora da Venezuela, mas no país não conta com o respaldo e a legitimidade da maioria do povo.

2. Repudiamos toda e qualquer ameaça de ingerência e de intervenção militar contra a Venezuela, que abrem um possível cenário lastimável de guerra nas fronteiras com o Brasil e com outros países da América do Sul, colocando em risco a vida do povo venezuelano, brasileiro e latino-americano.

3. Repudiamos as declarações intervencionistas do Governo Brasileiro, expressadas pelo presidente Jair Bolsonaro e seu chanceler Ernesto Araújo, que rompem com a tradição da diplomacia brasileira de busca pela paz, pelo diálogo e pela integração regional.

4. Repudiamos as manifestações intervencionistas dos governos do “Grupo de Lima” e dos países membros da União Europeia, que reconheceram Guaidó como presidente e querem interferir sobre as eleições venezuelanas.

5. Repudiamos o cruel bloqueio econômico praticado pelos EUA contra o povo venezuelano, recentemente os EUA sequestraram bilhões de dólares venezuelanos que estão em bancos estadunidenses, coroando o cerco econômico que já vem sendo praticado há cerca de três anos com o objetivo claro de desestabilizar o apoio popular mantido pelo governo de Maduro, à custa de privar a população de medicamentos, de alimentos e de produtos de higiene.

6. Denunciamos os interesses internacionais em apossar-se do petróleo e dos bens naturais que pertencem ao povo venezuelano. Para nós está evidente que o objetivo de Trump é o de apossar-se não só dos bens venezuelanos nos EUA, mas de pilhar o petróleo e os recursos naturais da nação com a instalação de um governo títere. Para tanto, golpes de Estado e ameaças de intervenção militar já foram largamente utilizados, como sabemos, em outras regiões do planeta.

7. Denunciamos a Rede Globo e todas as grandes empresas de comunicação brasileiras e internacionais que manipulam as informações e difundem mentiras sobre o governo de Nicolás Maduro e sobre que está acontecendo na Venezuela, confundindo a população e atuando diretamente na ofensiva internacional para desestabilizar e desconhecer a soberania do povo venezuelano.

8. Defendemos a soberania e autodeterminação do povo venezuelano, que tem o direito de escolher seu próprio destino através da eleição de seus governos, sem nenhuma ingerência externa.

9. Reconhecemos o governo legítimo de Nicolás Maduro, vencedor com 67% dos votos válidos de eleição realizada no dia 20 de maio de 2018 contra quatro candidatos da oposição. Tal eleição esteve sob a supervisão de 200 observadores internacionais, que atestaram a lisura, transparência e legitimidade de todo o processo.

10. Defendemos todas as iniciativas de Diálogo e de Paz que respeitem a soberania do povo venezuelano. Saudamos a iniciativa dos governos do México e do Uruguai que começarão no dia 07 de fevereiro. Saudamos as manifestações do Papa Francisco e todas as lideranças religiosas, artistas, políticos, personalidades e entidades que tem se manifestado neste sentido.

Por fim, nos comprometemos:

 – Estaremos em alerta sobre o que está acontecendo na Venezuela, conscientes de que não é somente uma questão de justiça e solidariedade, mas que se trata do destino do povo brasileiro e do povo latino-americano.

– Estaremos mobilizados nas ruas, nos campos, nas universidades, nos sindicatos, nos movimentos, nos partidos, nas igrejas, nos meios de comunicação, e em todos os lugares possíveis de estabelecer um diálogo com a população sobre o quê está acontecendo na Venezuela e sobre por que é tão importante e urgente tomar partido neste momento.

Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela

São Paulo, 06 de fevereiro de 2019.

Afirmação foi dada durante ato em solidariedade à Venezuela realizado frente ao consulado do país em São Paulo

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