Apagão na Venezuela lembra o do Chile antes do golpe contra Allende, diz ex-relator da ONU

'Portanto, está claro que os EUA continuarão aumentando a pressão e que Guaidó, é claro, é o homem de Washington na Venezuela, e ele vai continuar reunindo seus apoiadores contra Maduro', disse Alfred de Zayas

Redação

São Paulo (Brasil)

O ex-relator da ONU para a Venezuela, Alfred de Zayas, disse nesta segunda-feira (11/03) que Washington não desistiu da ideia de uma intervenção no país sul-americano, e afirmou que o blecaute que atinge o território “não será o último”.

"Isso me lembra muito o apagão elétrico no Chile que foi organizado pelos EUA e, é claro, pela oposição chilena em 14 de agosto de 1973 […] Portanto, está claro que os EUA continuarão aumentando a pressão e que Guaidó, é claro, é o homem de Washington na Venezuela, e ele vai continuar reunindo seus apoiadores contra Maduro", disse. Maduro acusou os Estados Unidos de estarem por trás do que chama de sabotagem.

"A América Latina é o quintal dos Estados Unidos, e os Estados Unidos têm enormes interesses econômicos na América Latina, em particular na Venezuela. A questão é que, se a Venezuela não tivesse recursos naturais e se não tivesse os maiores recursos petrolíferos do mundo, ela não seria interessante para os EUA, porque não haveria dinheiro para ganhar e o negócio da América são os negócios. Por isso, os Estados Unidos querem controlar esses recursos naturais", continua.

Ao ser perguntado se haveria novos planos para tentar derrubar Maduro do poder, Zayas disse acreditar que sim. "Os EUA estão ansiosos para entrar e obter lucro. Por causa das sanções, por causa do bloqueio financeiro, eles [venezuelanos] não conseguem vender seus recursos naturais nacionais. Obviamente, o país está paralisado, o país tem que ver como pode controlar uma situação quase incontrolável. Mas é preciso entender que esta situação incontrolável é artificial."

Para o especialista, a solução para a chamada crise humanitária seria a remoção das sanções, o fim da guerra econômica, o levantamento do bloqueio financeiro e liberar o país para comprar e vender como qualquer outro.

"A ideia de usar o termo crise humanitária é fazer com que a chamada intervenção humanitária seja palatável para a opinião pública mundial. Esta tática de demonização não é nova […] Se você chama Maduro de corrupto, as pessoas vão gradualmente acreditar que, se há fumaça, há fogo.”

Zayas diz que a "imprensa está focando apenas em Maduro" porque a intenção é derrubá-lo.

"Meu medo é que, de fato, ele possa ser assassinado. Não se esqueça, já houve uma tentativa de assassinato contra ele, e tenho certeza de que haverá outras tentativas de se livrarem dele tal como o general Augusto Pinochet se livrou de Salvador Allende em 1973 […] E outro grande perigo, realmente grande, é que o próprio Guaidó possa ser assassinado. Seria uma falsa bandeira perfeita. Se você matar Guaidó, então você tem o pretexto para os EUA entrarem. Então eles vão colocar toda a culpa em Maduro", conclui o analista.

Apagão deixou Caracas no escuro no fim da semana passada (Foto: teleSUR)


(*) Com Sputnik

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