Caminhada do Silêncio: ato em São Paulo lembra vítimas da ditadura militar

Com velas, flores e fotos das vítimas da violência estatal, os manifestantes se concentraram às 16h no Parque do Ibirapuera; houve atos também em outras partes do país

Redação

São Paulo (Brasil)

Manifestantes foram ao parque do Ibirapuera, em São Paulo, neste domingo (31/03), na 1ª Caminhada do Silêncio, para lembrar os mortos e desaparecidos da ditadura militar no Brasil (1964-1985). O golpe completa 55 anos hoje.

O ato foi organizado pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, em parceria com o grupo Tortura Nunca Mais de Salvador, contra a truculência, a crueldade e ilegalidades cometidas contra civis, ontem e hoje.

Os manifestantes - que a Guarda Civil Municipal estimou serem cerca de 8.000 - se concentraram às 16h no Ibirapuera. Com shows e palavras de ordem, eles se prepararam para a caminhada que aconteceria logo em seguida.

Pouco depois das 18h, os manifestantes começaram a se dirigir, em silêncio, ao Monumento pelos Mortos e Desaparecidos Políticos, que fica ao lado do parque. Eles carregavam fotos de vítimas da ditadura, além de flores e cartazes contra a violência na ditadura.

A vigília deve durar até a 0h desta segunda-feira (01/04).

"Nosso foco sempre foi demonstrar que a violência e a impunidade do passado reforçam a confiança dos agentes de Estado nos dias de hoje que podem permanecer com esse tipo de atitude contra populações vulneráveis. Não pode adotar uma atitude terrorista, de prender ilegalmente, sumir com as pessoas, não entregar os corpos", diz a presidente da comissão, Eugênia Gonzaga, se referindo às violações cometidas nos tempos da ditadura, mas também àquelas que continuam a serem perpetradas contra populações vulneráveis nos dias de hoje, como indígenas e jovens negros nas periferias.

Ela diz que o Brasil necessita avançar em políticas da chamada Justiça de Transição, adotada por inúmeros países que passaram por regimes de exceção, que compreende o reconhecimento dos crimes cometidos, a reconstituição de documentos históricos destruídos e a identificação de corpos de presos políticos, dentre outras ações. "A avaliação é que o país que não cumpre com essas medidas não chega a um amadurecimento democrático e não consegue eliminar essas mazelas relativas à violência", diz a procuradora.


Atos pelo país

Para "descomemorar" a data do golpe militar, organizações políticas convocaram um ato na Cinelândia, centro do Rio de Janeiro. Segundo organizadores, 4.000 pessoas participaram do ato.

A professa aposentada Sandra Chaves, 65 anos, participou da manifestação no Rio. Ela tinha dez anos quando a ditadura foi instaurada e teve atuação na resistência ao regime enquanto estava na Universidade. “Esse ano nós vivemos um governo muito ruim, com perspectiva de volta da ditadura. Ouvir dizer que não houve ditadura é cruel para quem viveu”, desabafa.

Em Porto Alegre (RS), militantes políticos se reuniram no Parque da Redenção. O ato unitário teve como mote a defesa da ditadura e a repulsa a governos autoritários como o instaurado em 1964. Na ocasião foi inaugurada uma escultura em memória aos mortos e desaparecidos gaúchos e de todo Brasil. Também na região sul, um ato em Curitiba (PR) percorreu as ruas da capital.

No Ceará, uma aula pública sobre ditadura reuniu cerca de 500 pessoas, segundo os organizadores, na praia de Iracema, em Fortaleza. Em Minas Gerais, manifestações aconteceram em Belo Horizonte, na Praça da Liberdade, e em Uberlândia. Em Brasília (DF), uma marcha por memória, verdade e justiça percorreu o Eixão.

(*) Com Rede Brasil Atual e Brasil de Fato

Elineudo Meira/Mídia Ninja
Manifestantes se reuniram no final da tarde no Ibirapuera em ato contra ditadura militar

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