Esquerda sai na frente em eleição na Finlândia

Projeção dá vitória à oposição social-democrata liderada por ex-líder sindical e aponta queda de votos para conservadores e nacionalistas, que integram atual coalizão de governo; premiê admite derrota de seu partido

Redação

Bonn (Alemanha)

Deutsche Welle Deutsche Welle

Segundo os primeiros prognósticos da eleição parlamentar na Finlândia, realizada neste domingo (14/04), o Partido Social-Democrata, de oposição, deve se tornar o mais votado. Liderado pelo ex-líder sindical Antti Rinne, a legenda é atualmente a quarta força política do país.

Pelas primeiras projeções, os sociais-democratas obtêm 18,9%. O conservador Partido da Coligação Nacional, do ministro das Finanças interino Petteri Orpo, chega a 16,7%, seguido pelo liberal Partido de Centro, do primeiro-ministro Juha Sipilä, com 15,5% (5,6% a menos que na eleição anterior). "O Partido de Centro é o grande perdedor dessas eleições", reconheceu Sipilä. "Esse resultado é altamente desapontador para nós."

Já o nacionalista de direita Partido dos Finlandeses viria logo em seguida, com 15,1%. Os verdes obtiveram, segundo a projeção, 11,4%, cifra que representaria um aumento de votos em relação à eleição parlamentar de 2015.

Embora a última pesquisa divulgada colocasse nacionalistas do Partido dos Finlandeses na segunda posição, as projeções indicam que a legenda teve desempenho abaixo do esperado.

Se os resultados finais confirmarem as projeções, o social-democrata Antti Rinne pode se tornar o primeiro premiê de esquerda na Finlândia em duas décadas. Mas o processo de formar uma coalizão pode ser difícil devido a um Parlamento fragmentado.

Esse resultado parcial corresponde à votação antecipada, na qual mais de 1,5 milhão de eleitores, equivalentes a 34,5% de todo o e leitorado, foram às urnas durante a semana passada.

Dado que a participação costuma ser de 70%, a votação antecipada pode representar aproximadamente metade dos votos.

Esta eleição foi marcada pela insatisfação de muitos cidadãos com as políticas de austeridade do atual governo de centro-direita, que havia prometido antes da eleição de 2015 levar a economia do país a crescer novamente, através de profundos cortes de gastos.

No entanto, os cortes no altamente respeitado sistema educacional da Finlândia assim como a criação de regras mais rígidas para a obtenção de auxílio para desempregados provocaram ampla rejeição entre os eleitores.

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Social-democrata Antti Rinne pode se tornar o primeiro premiê de esquerda na Finlândia em duas décadas.

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