Quatro ex-presidentes, denúncias, suicídio, fuga e prisões: o que está acontecendo no Peru?

Além de García, todos os presidentes deste século também foram alvo de investigações da Operação Lava Jato no país

Lucas Estanislau

São Paulo (Brasil)

O suicídio do ex-presidente do Peru Alan García, que atirou contra a própria cabeça nesta quarta-feira (17/04) momentos depois da polícia chegar à sua casa para efetuar uma ordem de prisão preventiva, marcou mais um episódio da Operação Lava Jato no país latino-americano.

Além de García, outros ex-presidentes - todos os que governaram o país neste século - estão sendo alvo de investigações da Lava Jato no país. Todos eles, em maior ou menor medida, são acusados de receber suborno da empreiteira Odebrecht, que tinha grande presença no Peru.

Mas, o que pesa contra cada um deles?

Alan García

Segundo a Promotoria peruana, García era acusado de ter desempenhado “um papel importante” na construção do metrô de Lima, obra comandada pela construtora brasileira Odebrecht, sugerindo que o ex-presidente havia recebido favores em troca de prioridade para a empresa em licitações públicas.

Além disso, a Justiça do Peru investigava García pelo recebimento de 100 mil dólares da empreiteira brasileira por uma palestra dada na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em 2012. As suspeitas foram levantadas por uma delação premiada feita por um dos executivos da Odebrecht, Marco Grillo, que afirmou que o pagamento foi feito ao ex-presidente por um intermediário.

García se dizia inocente de todas as acusações e chegou a afirmar que sofria “perseguição política”. “É um abuso. Em 2012 eu não era presidente, podia ser contratado para qualquer conferência. Fiz a palestra, recebi os honorários na minha conta em Lima e paguei 30% do imposto imediatamente”, se defendeu o ex-presidente pelo Twitter, no final do ano passado.

Ainda em dezembro de 2018, o ex-presidente chegou a pedir asilo na embaixada do Uruguai em Lima sob a justificativa de ser vítima de um processo político. Entretanto, o presidente uruguaio, Tabaré Vazquez, negou o pedido de García, por avaliar que o caso não configurava uma perseguição política, “já que no Peru funcionam autonomamente e livremente os três poderes do Estado”.

Filiado ao Aliança Popular Revolucionária Americana (APRA), García foi presidente do país em duas oportunidades, cumprindo o primeiro mandato entre julho de 1985 e julho de 1990, e o segundo entre julho de 2006 e julho de 2011. O ex-mandatário ia ser preso preventivamente nesta quarta por dez dias.

PPK, Ollanta e Toledo

O caso mais recente foi do ex-mandatário Pedro Pablo Kuczynski (PPK), que renunciou ao cargo em março do ano passado, não completando o mandato até 2021.

PPK está preso de forma preventiva na última sexta-feira (10/04) e ficará 10 dias na prisão por determinação da justiça. O ex-presidente é investigado por suposta participação em esquema de lavagem de dinheiro junto à construtora . A acusação aponta que PPK teria recebido dinheiro da construtora em torca de favorecer a empresa brasileira. Kuczynski se diz inocente de todas as acusações.

Também acusado de possuir ligações ilícitas com a Odebrecht, o ex-presidente Ollanta Humala, que governou o país entre 2011 e 2016, também foi preso preventivamente em 2018 e hoje aguarda em liberdade o julgamento. Segundo a procuradoria do Peru, Humala teria recebido mais de 3 milhões de dólares de forma irregular para a campanha do ex-presidente em 2011.

Alejandro Toledo, mandatário do país entre 2001 e 2006, também está envolvido em investigações da Lava Jato. O Justiça acusa o ex-presidente de supostamente ter recebido 20 milhões de dólares como propina da empreiteira brasileira na construção da rodovia Interoceânica, que liga o litoral peruano ao Brasil. Toledo está nos Estados Unidos e é encarado pelas autoridades peruanas como foragido.

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Além de García, outros ex-presidentes também foram alvo de investigações da Operação Lava Jato no país, como PPK, Ollanta Humala e Toledo

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