Juiz decreta 36 meses de prisão preventiva para ex-presidente peruano

Pedro Pablo Kuczynski, de 80 anos, é acusado de receber propina da empreiteira brasileira Odebrecht; ele foi internado em uma clínica de Lima após crise de hipertensão

Redação

Deutsche Welle Deutsche Welle

Bonn (Alemanha)

Investigado por suspeita ter participado de um grande esquema de corrupção envolvendo a construtora brasileira Odebrecht, o ex-presidente peruano Pedro Pablo Kuczynski terá que cumprir três anos de prisão preventiva, de acordo com uma decisão judicial anunciada nesta sexta-feira (19/04).

No texto em que determinou a prisão do ex-presidente, o juiz Jorge Chávez disse que existem evidências de que Kuczynski - internado em um hospital de Lima desde a última quarta-feira após uma crise de hipertensão - cometeu o crime de lavagem de dinheiro, ocultou e deu informações fiscais falsas e não tem garantia de permanência no Peru, já que a esposa e a família do político vivem nos Estados Unidos.

O juiz afirmou ainda que Kuczynski, de 80 anos, pode receber atendimento de saúde. Ele foi internado em uma clínica de Lima poucos dias depois de a Justiça ter determinado que ele fosse detido preliminarmente por 10 dias.

Além disso, o magistrado se recusou a aplicar uma medida similar contra a secretária e o chofer do ex-governante, Gloria Kisic e José Luis Bernaola, respectivamente, que são investigados por suposta lavagem de dinheiro na modalidade de transferência, conversão, ocultação e posse em ofensa do Estado.

Chávez ordenou então que Kisic e Bernaola sejam proibidos de deixar o país e compareçam diante das autoridades sempre que forem solicitados durante o curso da investigação.

Os três são acusados pelo suposto envolvimento em lavagem de dinheiro de possível origem ilegal da Odebrecht através de consultorias em nome da Westfield Capital, empresa de Kuczynski registrada nos Estados Unidos, quando este era ministro do ex-presidente Alejandro Toledo (2001-2006).

O Ministério Público suspeita que as consultorias, que renderam receitas de 782.000 dólares entre 2004 e 2007, são supostamente pagamentos de fachada para obter os favores de Kuczynski na adjudicação de grandes obras públicas cujas licitações obtiveram por meio de subornos.

Concretamente, Kuczynski é investigado pelas adjudicações do projeto de irrigação Olmos e pela estrada interoceânica do sul, pela qual Toledo supostamente recebeu 20 milhões de dólares em subornos.

O juiz Chávez comunicou sua decisão depois que nesta quinta-feira o promotor José Domingo Pérez ratificou sua solicitação de prisão preventiva após apresentar um relatório médico que afirmou que Kuczynski não tem doença grave, incurável ou incapacidade física permanente, embora tenha recomendado a continuidade de seu tratamento por hipertensão arterial.

Kuczynski, que está proibido de sair do país desde março de 2018, solicitou permissão no ano passado ao Poder Judiciário para viajar aos Estados Unidos para tratar-se de uma doença cardíaca em uma clínica especializada, mas essa solicitação não foi concedida, razão pela qual continuou o tratamento em Lima.

Pérez disse que os delatores da Odebrecht asseguraram que os contratos assinados com empresas de Kuczynski foram "uma oportunidade para curar feridas", em referência aos supostos subornos para adjudicar a construção da estrada interoceânica sul.

Além disso, afirmou que Kuczynski transferiu as sessões do escritório a cargo dos investimentos públicos ao Palácio de Governo, quando foi ministro de Alejandro Toledo, para poder modificar as normas a fim de beneficiar a construtora brasileira.

Depois do Brasil, o Peru é um dos países mais afetados pelas propinas da Odebrecht, que admitiu ter pagado 29 milhões de dólares a três governos peruanos.

Também estão sendo investigados os ex-presidentes Alejandro Toledo (2001-2006), que fugiu para os EUA e enfrenta um pedido de extradição, e Ollanta Humala (2011-2016), que responde em liberdade condicional.

O Peru é um dos países mais afetados pelos casos de corrupção da Odebrecht, que admitiu ter pago US$ 29 milhões em subornos ao longo de três governos peruanos.

Na quarta-feira, o também ex-presidente peruano Alan García (1985-1990 e 2006-2011) se matou quando estava prestes a ser preso. A nova prisão preventiva de Kuczynski foi ordenada poucas horas depois da cremação do corpo de García.

picture-alliance/dpa/M. Mejia
Kuczynski governou o Peru entre 2016 e 2018. Ele renunciou após sofrer desgaste com escândalos de corrupção

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